Grupo teatral leva "O Capital" de Karl Marx à cena em Dusseldorf
Um grupo de jovens encenadores alemães chamado "Rimini Protokoll" transformou "O Capital", o clássico de teoria económica de Karl Marx, numa peça de teatro, que se estreou sábado em Düsseldorf, noticiou The Guardian na sua edição online.
A peça, que pretende tornar apelativos tópicos como "a produção de mais-valia absoluta", abordados na obra de Marx, baseada em 30 anos de pesquisa sobre a produção capitalista na Inglaterra industrial, está em cena na Düsseldorfer Schauspielhaus e chama-se "Capital - Volume Um". Será vista a seguir em Berlim, Frankfurt e Zurique Tendo como cenário estantes forradas de livros e um busto de Marx em lugar de destaque, oito pessoas - seleccionadas entre as poucas que leram o livro de capa a contracapa - contam as suas histórias, criando uma colagem teatral na qual Marx é o fio condutor.
No espectáculo criado pelos "Rimini Protokoll", que conquistaram prestígio na área do "teatro documental", os participantes formam um grupo diverso: há um marxista ferrenho que pragueja contra a Coca- Cola e os males da sociedade de consumo, um cantor socialista da antiga Alemanha de Leste e um funcionário cego de um call-center que sonha ir ao concurso "Quem Quer Ser Milionário?".
Num invulgar apelo à participação do público, é oferecido a cada espectador um livro encadernado: o 23º Volume das Obras Completas de Marx e Engels.
Ler o volume todo em voz alta, com análise para se decifrar o que foi lido, implicaria que a audiência do teatro tivesse de ali permanecer um ano inteiro.
Mas os "Rimini Protokoll" conseguiram fazer uma versão mais ligeira, que dura uma noite.
O colectivo afirma, no entanto, que cada espectáculo é diferente, porque reflecte a espontaneidade de uma peça que foi ensaiada em apenas três semanas.
O grupo de jovens encenadores alemães teve recentemente espectáculos esgotados, como "Blaiberg und Sweetheart 19", que incluía pessoas que fizeram transplantes cardíacos e pessoas que tentaram encontrar o amor em sites da Internet para corações solitários.
Desta vez, contudo, não conseguiram cativar a crítica: "A maior parte da peça continua a ser uma espécie de prelecção que, como todas as prelecções, é, às vezes, estéril e chata", afirmou o jornal Süddeutsche Zeitung.