Guarda tem nova associação cultural que pretende apostar na formação e ação artística
O concelho da Guarda tem uma nova associação cultural, com sede na aldeia de Famalicão da Serra, que pretende "focar-se na formação e ação artística" e "agir social e ambientalmente" no território, disse hoje o presidente da organização.
A nova coletividade, designada "Associação Cultural Sou Só", foi constituída oficialmente no início de setembro e é presidida por Daniel Rocha, que tem desenvolvido vários projetos de teatro na região da Guarda e encenações e coordenação de espetáculos em contexto escolar e formativo.
Segundo o responsável, a associação surgiu por iniciativa de um grupo de trabalho que colaborava em vários projetos e decidiu constituir-se "como algo mais", para poder aceder a fundos e realizar atividades "mais interessantes para os destinatários".
"A sua atividade enquanto associação irá focar-se na formação e ação artística, mas irá também agir social e ambientalmente em todo o distrito" da Guarda, referiu hoje Daniel Rocha à agência Lusa.
O dirigente lembrou que a coletividade tem mais de duas dezenas de sócios, "gente com provas dadas em variadas áreas e com vontade em fazer diferente do que tem sido feito nos últimos anos, privilegiando a ação junto das comunidades locais".
A aldeia de Famalicão da Serra, no concelho da Guarda, situada na área do Parque Natural da Serra da Estrela, é a "base" da associação, que pretende fazer iniciativas localmente e, depois, transportar a sua experiência "para outras regiões" do país.
"Percebemos que só através de uma associação que pensa a sua região e que pensa nas potencialidades que tem e que depois vai mostrar essas potencialidades a outros, é que as coisas podem funcionar", justificou.
Como exemplo, Daniel Rocha referiu que a intenção da "Associação Cultural Sou Só" é "construir objetos artísticos" ou determinadas atividades artísticas que tenham o ambiente como centro, pretendendo realizar um projeto de teatro infantil que se centraliza nas árvores destruídas pelo incêndio de agosto.
No plano social, pretende-se agir junto da comunidade de Famalicão da Serra, uma aldeia que possui uma população envelhecida.
Uma das pretensões da direção é estabelecer um acordo com a Junta de Freguesia de Famalicão da Serra e a Câmara Municipal da Guarda para que seja dinamizada a Casa da Cultura local.
"[Na associação] temos pessoas formadas nas mais diversas artes, que podem dar à região e, neste caso, ao concelho da Guarda, uma visão artística de vanguarda, de inovação, de conhecimento, que às vezes é procurada de forma tão incessante nas grandes capitais, mas nós temos gente capaz disso. E queremos mostrar que não é preciso que venham de Lisboa para nos ensinar a fazer teatro, a pensar teatro, por exemplo, a pensar as artes. Nós temos cá pessoas que também sabem pensá-las", declarou.
Na sua opinião, a região tem de perceber "que se se agarrar às pessoas que vivem cá e que querem viver cá, se calhar terá mais resultados, do que se se estiver a deitar tudo fora e a obrigar que essas pessoas também tenham de ir embora".
Assim, Daniel Rocha considerou que a aldeia de Famalicão da Serra, no interior do país, pode ser um campo de experimentação para que ali seja produzida atividade cultural com qualidade e inovação.
Como primeira ação, a "Associação Cultural Sou Só" vai organizar, em novembro, na cidade da Guarda, aulas de expressão dramática para crianças e jovens que serão lecionadas pela professora e atriz Filipa Teixeira.