"Guernica" faz o "check-up" dos 75 anos

Aos 75 anos, “Guernica”, de Pablo Picasso, vai ter direito a um segundo exame completo ao seu estado físico. Para o efeito foi construído, numa parceria com a Telefónica, um robô avaliado em cerca de 300 mil euros que trabalha a altas horas da noite, sempre que se fecham as portas do Museu Rainha Sofia, onde a obra-prima que o malaguenho pintou aos 56 anos está exposta.

RTP /
Apesar dos 75 anos, "Guernica" apresenta uma condição invejável DR

Em 1937, o pintor malaguenho Pablo Picasso, já então de larga fama por todo o mundo, respondia a uma encomenda do Governo espanhol para a Exposição Universal de Paris com o quadro de 27 meros quadrados, onde punha a preto e branco os horrores da guerra. Chamou-lhe “Guernica”, a localidade do País Basco bombardeada pelas forças alemãs e italianas que apoiaram o futuro ditador Francisco Franco durante a guerra civil espanhola.

A máquina construída em parceria com a empresa de telecomunicações espanhola Telefónica foi baptizado de “Pablito”.

A sua acuidade permite verificar milímetro a milímetro da tela com um pormenor desconhecido ao olho humano.

Após a exposição em Paris, o quadro andou duas décadas de um lado para o outro, atravessando várias vezes o Atlântico. Finalmente, em 1981, viajava do MoMA (Museu de Arte Moderna) de Nova Iorque rumo a Madrid, onde encontrou a sua morada definitiva no Museu Rainha Sofia, não sem antes passar pelo Prado, ali ao lado.

O primeiro check-up aos 27 metros quadrados (7,8 x 3,5) em que Picasso expôs os horrores da guerra foi feito em 1998. Na altura foram detectadas 129 imperfeições na tela, entre rachas, marcas e manchas, o que era visto como consequência natural da vida dura a que o quadro fora obrigado.

Sempre que viajava para novas paragens, o painel, dadas as dimensões, era retirado da sua estrutura e enrolado, processo que terá sido efectuado demasiadas vezes.

De acordo com o curador do Rainha Sofia, esta vida vale agora a “Guernica” uma “frágil condição fruto das movimentações e várias mudanças”. Jorge García Gómez-Tejedor acrescenta, a propósito da decisão de verificar o estado do quadro: “Pode ser comparado a um grande exame médico no sentido em que precisa de ser constantemente monitorizado”.
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