"Heart of the Beast - Heróis Inseparáveis"

"Heart of the Beast - Heróis Inseparáveis"

Depois da estreia no Festival de Cinema de San Sebastian, chega aos cinemas portugueses "Heart of the Beast - Heróis Inseparáveis", do realizador norte-americano David Ayer. É uma história de amizade e de luta pela sobrevivência.

Margarida Vaz - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Fotos: Margarida Vaz - RTP Antena 1

Brad Pitt partilha o protagonismo com um cão, o ator norte-americano interpreta o papel de James Belmont, um veterano das Forças Especiais, ao lado pastor alemão Odin, perdidos no Alasca juntos vão lutar pela sobrevivência.

A jornalista Margarida Vaz foi até à unidade do Grupo de Intervenção Cinotécnico da GNR perceber como se estabelece a relação entre militar e cão que recebe treino para busca e salvamento.

Capitão Fábio Zuada: «A relação entre o cão e o tratador é a base de tudo» — à semelhança do filme “Heart of the Beast — Heróis Inseparáveis”

295 cães ao serviço da GNR

O Grupo de Intervenção Cinotécnico (GIC) concentra a maior parte dos cães da GNR, num efetivo de cerca de 295 animais, entre cachorros, cães operacionais e animais em fase final de carreira. A força está preparada para missões de intervenção, deteção, busca e apoio aos comandos territoriais.

Treino começa desde cedo


A preparação dos cães começa ainda em idade jovem, com os animais a serem avaliados e encaminhados para as áreas em que demonstram maior aptidão. «Muito na base da brincadeira e sempre desenvolvendo expectativas positivas», explica o capitão Fábio Zuada, comandante de companhia no Grupo de Intervenção Cinotécnico da GNR. O treino é contínuo e acompanha toda a carreira do animal.

Um parceiro para a vida

Pastor Alemão, Pastor Belga Malinois e Pastor Holandês são as principais raças utilizadas pela GNR. No final da carreira, muitos cães permanecem com os seus tratadores ou respetivas famílias. «É muito difícil para os nossos tratadores conseguirem-se desligar», reconhece o comandante de companhia no grupo de Intervenção Cinotécnico da GNR.

Missões todos os dias

Em entrevista à jornalista Margarida Vaz, o capitão Fábio Zuada explica que a atividade operacional é permanente, desde a deteção de explosivos e buscas a operações de policiamento e localização de pessoas. Frisa a importância de utilização do cães, participam em missões de busca e salvamento, onde a capacidade de deteção pelo odor permite cobrir rapidamente grandes áreas.

Ator Brad Pitt e o cão Odin: uma dupla que o capitão reconhece nas operações do Grupo de Intervenção Cinotécnico da GNR

O filme “Heart of the Beast — Heróis Inseparáveis”, protagonizado por Brad Pitt e pelo pastor alemão Odin (nome da personagem do cão Uber) está muito próximo do que é a experiência profissional de Fábio Zuada.

Depois de ver o filme, o capitão Fábio Zuada, o que mais lhe chama a atenção ao é precisamente a forma como a relação entre o homem e o cão é transmitida ao espectador. «A mensagem que está subliminar no filme é, em primeiro lugar, a relação que existe entre os dois, a confiança de enfrentar os desafios que aparecem e estarem sempre juntos um do outro», explica.

Essa leitura estende-se também ao desempenho do próprio cão. Para Fábio Zuada, Odin consegue transmitir, através do comportamento e das expressões, aquilo que um cão sente, uma dimensão que considera essencial no trabalho dos binómios da GNR. «Eles expressam-se de formas muito distintas», explica, referindo sinais como as orelhas, a cauda, o olhar, os ganidos ou a postura corporal”.

É precisamente essa capacidade de comunicação não-verbal que o capitão reconhece no filme. Diz que a ligação entre os dois protagonistas assenta numa relação de confiança e lealdade que também é fundamental no trabalho operacional: «O cão precisa de confiar em nós» e o tratador, por sua vez, tem de confiar nas indicações que o animal lhe dá.

O comandante de companhia no Grupo de Intervenção Cinotécnico da GNR, Fábio Zuada, identifica ainda no filme situações que considera próximas da realidade dos seus próprios treinos e operações. O cão pode hesitar perante uma situação que lhe provoca receio, cabendo ao tratador perceber os sinais e ajudá-lo a ultrapassar a dificuldade. «A relação entre os dois é que me vai dizer a mim, tratador, o que é que o meu cão precisa ou não precisa», afirma.

Mais do que a ação ou o espetáculo, o que o comandante retém de “Heart of the Beast – Heróis Inseparáveis” é a ideia de uma dupla inseparável. «Acho que a mensagem que passa é mesmo essa de haver uma relação de serem inseparáveis», resume. Para Fábio Zuada, é essa complementaridade entre homem e cão que está «na base de tudo» no trabalho cinotécnico.

"Primeiro o animal, depois o material"

O capitão da GNR Fábio Zuada refere que essa ligação explica, também, a prioridade que é dada aos cães depois de uma missão. «Primeiro o animal, depois o material, depois o pessoal», resume o capitão. Para os militares da cinotecnia, o cão é simultaneamente uma ferramenta de trabalho e um companheiro que, muitas vezes, acaba por integrar a vida familiar do tratador e com quem fica até ao final da vida.

Entrevista de Margarida Vaz a Fábio Zuada, comandante de companhia no Grupo de Intervenção Cinotécnico da GNR.


Cães da cinotécnica da GNR são elementos indispensáveis em busca e salvamento. Demonstração de treino de capitão Fábio Zuada, o comandante de companhia no Grupo de Intervenção Cinotécnico da GNR, com a cadela Cobra Kai, uma pastora belga malinois com quem forma equipa cinotécnica.




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