Helena Sarmento apresenta "E em abril, cantigas mil" no Museu do Fado
A fadista Helena Sarmento estreia-se na sexta-feira, no auditório do Museu do Fado, em Lisboa, num espetáculo intitulado "E em abril, cantigas mil", no qual apresenta os dois discos já editados e um tema novo.
"O que estou a preparar... Uma vez que nunca fui cantar ao Museu do Fado, e tenho dois álbuns, achei que fazia sentido fazer um equilibro dos dois, e vou apresentar cerca de metade de cada deles", disse a fadista à Lusa.
Para a fadista "é simbólico atuar no Museu, por aquilo que ele representa na comunidade".
O novo tema que apresenta no Museu, "Noite de inverno", é de autoria de João Gigante-Ferreira, que tem sido um autor constante na sua carreira, que interpreta na melodia tradicional do Fado Mocita dos Caracóis, de Alfredo Marceneiro.
Helena Sarmento, que exerce advocacia no Porto, estreou-se discograficamente em 2011 com "Fado Azul", um álbum constituído essencialmente por letras inéditas num ambiente musical de fado tradicional e com dois temas recuperados dos repertórios de Amália Rodrigues, "Caldeirada", e de José Afonso, "Canção do Desterro".
Em 2014 editou "Fado dos dias assim", álbum que, tal como o antecessor, teve uma edição internacional, através da Sunset France, em setembro desse ano.
Sobre este álbum, o crítico de música João Gobern escreveu que "os arranjos continuam simples, a seleção mantém-se soberba, as novidades arrebatam". Para Helena Sarmento, "é um álbum mais pensado e próximo" de si.
A fadista voltou a apostar nas melodias tradicionais, e regista apenas três inéditos, letra e música, no CD, com Gigante-Ferreira a assinar 11 letras. Do alinhamento deste álbum fazem parte "Saudade da prosa", de Manuel António Pina, musicado por Paulo Jorge Rodrigues, e de Joaquim Sarmento, autor do romance "O Deus da ausência", a fadista escolheu o poema "O nó do nosso segredo", que interpreta na melodia do Fado Bailado, de Alfredo Marceneiro.
Helena Sarmento afirmou que "a música ocupa cada vez mais lugar" na sua vida, mas ainda não se decidiu por uma carreira apenas.
No Museu do Fado, Helena Sarmento é acompanhada pelos músicos Samuel Cabral, na guitarra portuguesa, Paulo Faria de Carvalho, na viola, e Amândio Pires, na viola baixo.
Para Helena Sarmento, que tem agendadas duas atuações em França, em maio, o fado é uma "canção única que conta uma história, vive do momento, e tem sempre um certo dramatismo".
Helena Sarmento começou a cantar "por brincadeira" em 2003. Amália Rodrigues é uma das suas referências, tendo ainda citado Ana Moura, Raquel Tavares, Camané e Carlos do Carmo. Desde a sua estreia discográfica, a fadista já atuou em Espanha, Alemanha e França.
Segundo o musicólogo Rui Vieira Nery, autor de "Para uma história do fado", Helena Sarmento "não é a segunda Amália, nem a terceira Hermínia [Silva], nem a quarta Fernanda Maria. É a primeira Helena Sarmento. Ouvimos fados tradicionais, cantados já por tanta gente, mas temos a sensação de eles estarem a ser reinventados, temos a sensação do novo".