Hermitage é um museu à escala da Rússia

O Museu Hermitage, de São Petersburgo, é um retrato quase perfeito da história da Rússia, com dimensões gigantescas e riquezas artísticas incalculáveis.

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A colecção de obras que constitui o seu acervo foi criada pelos czares russos e passou pelos mesmos momentos de glória e de humilhação atravessados pelo país.

O museu, aberto ao público em 1852, foi criado no Palácio de Inverno, residência oficial dos czares nas margens do Rio Neva.

Em 1764, a Imperatriz Catarina II adquiriu as primeiras obras de arte e a colecção foi crescendo ao longo dos tempos até ocupar actualmente cinco edifícios interligados, o que exige ao visitante uma enorme disponibilidade de tempo.

Quem quiser visitar as suas 1057 salas, contendo obras artísticas criadas pelo homem desde a pré-história até aos nossos dias, e parar um minuto para apreciar cada uma das peças expostas, precisará de onze anos para completar tal tarefa.

Os cerca de oitocentos quadros de pintura italiana e cem de pintura espanhola ficam obscurecidos pela impressionante colecção impressionista e pós-impressionista francesa, com 36 obras de Henri Matisse (1869-1954), 37 de Pablo Picasso (1881-1973), 15 de Paul Gauguin (1848-1903), quatro de Van Gogh (1853-1890), oito de Monet (1840-1926), etc.

A colecção holandesa e flamenga do Hermitage, exposta em seis grandes salas, num total de 500 obras, seria suficiente para criar um museu que não ficaria atrás do Rijksmuseum de Amsterdão. São 37 quadros de Peter Paul Rubens (1577-1640), 22 de Antoon Van Dyck (1599-1641) e 22 de Rembrandt (1606-1669).

Ao todo, o Museu Hermitage possui cerca de três milhões de obras de arte, estando expostas apenas 20 por cento. Daí a direcção do museu ter dado inicío à criação de "Hermitages itinerantes" em várias cidades da Europa e da América, incluindo Lisboa.

A colecção poderia ser ainda bem maior se o regime comunista (1917-1919) não tivesse vendido numerosas obras do Hermitage, bem como de outros museus russos, a coleccionadores estrangeiros a fim de conseguir moeda convertível para financiar a "revolução mundial". Calouste Gulbenkian está entre os magnatas que compraram quadros do Hermitage, que podem hoje ser apreciados no museu da sua fundação em Lisboa.

Uma inventariação iniciada em 2005 mostrou que mais de duzentas valiosas peças do museu desapareceram, a maioria das quais não foram recuperadas.

Porém, não obstante todas as dificuldades, o Hermitage continua a ser o maior museu do mundo e um dos grandes motivos de orgulho da Rússia.

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