História da Arquitetura Moderna mostra-se na Garagem Sul do Centro Cultural de Belém

Lisboa, 19 fev (Lusa) -- Quinze filmes com arquitetos a falarem da sua obra, com os quais se traça a história da arquitetura moderna, constituem a mostra "Construções em movimento", patente a partir de hoje no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Lusa /

A mostra consiste numa seleção de 15 filmes dos arquivos do Instituto para a História e Teoria da Arquitetura (gta Institute/ETH Zurique), apresentada na Suíça, em 2017, por ocasião do 50.º aniversário do instituto, e que, a partir do final da tarde de hoje, pode ser visitada na Garagem Sul do CCB.

Para o arquiteto e programador da Garagem Sul, André Tavares, a mostra é "particularmente interessante vista em conjunto".

"Ao vermos vários arquitetos a falar sobre a sua obra, mesmo que não se entenda o que eles estão a dizer, só ver, por exemplo, Alfred Roth (1903-1998), Rudolf Olgiati (1910-1995), e Alberto Camenzind (1914-2004) a falarem, percebemos o contexto em que estão a falar", observou, sublinhando que com estes filmes acaba por se ter "a história da arquitetura moderna".

Perceber quais são "os interesses dos arquitetos, e ver a história em movimento já nos conta a história do que é a arquitetura moderna", sublinhou.

Numa visita guiada para a imprensa, André Tavares explicou que em alguns dos filmes os visitantes têm oportunidade de encontrar instituições modernas célebres como os Congrès Internationaux de`Architecture Moderne (Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna, CIAM).

Entre os filmes está aquele que o secretário-geral do CIAM, o historiador e crítico de arquitetura suíço Sigfried Giedion (1888-1968) encomendou ao designer e fotógrafo Lázló Moholy-Nagy (1895-1946) sobre o congresso que os arquitetos modernos fizeram, em 1933, a bordo de um cruzeiro entre Marselha e Atenas, para discutir o futuro da arquitetura.

A sequência vai do arranque da arquitetura moderna até finais dos anos 1990, com a revisitação de filmes dos anos 1930, em particular de uma exposição de Chicago, e de alguns filmes que olham de novo para a arquitetura dos anos iniciais, mais uma vez do arquiteto suíço Hannes Meyer(1889-1954), o segundo diretor da Bauhaus, que sucedeu a Walter Gropius e antecedeu Mies van de Rohe, o terceiro e último diretor da decisiva escola de Dessau, fundada há cem anos.

Para André Tavares, a importância da exposição reside também no facto de mostrar que os arquivos de arquitetura moderna "contêm muito mais do que apenas desenhos, cartas ou maquetas".

"Contêm arquitetura em movimento e construções em movimento", observou, acrescentando que os arquitetos a falarem na primeira pessoa, a mostrarem as suas casas e os espaços onde trabalham "conta-nos muito sobre a maneira como vivemos, a maneira como construímos e a natureza dos próprios edifícios".

A exposição tem curadoria de Andreas Kalpakci, Jacqueline Maurer e Daniela Ortiz dos Santos.

Em simultâneo com esta exposição, a Garagem Sul disponibiliza outra - "A universidade está no ar -- Difundir a arquitetura moderna Reino Unido 1975/1982" - na qual se mostra a história do curso de História de Arquitetura e Design (A305) da Universidade Aberta, transmitido pela BBC entre 1975 e 1982.

Com curadoria do arquiteto Joaquim Moreno, a mostra "põe em contraste a narração histórica da arquitetura moderna do curso (A305) com o seu contexto nos anos 1970, num momento em que a própria arquitetura estava em grande transformação", referiu o curador.

A mostra recria também a experiência partilhada, ainda que doméstica, de uma educação universitária porta-a-porta diretamente em casa e permite ter uma ideia da maquinaria, logística e infraestruturas necessárias para desenvolver este ensino inovador.

Joaquim Moreno sublinha nesta exposição fotográfica a alta definição da rádio, e a rádio sempre como era - "não era multissensorial e permitia comunicar de outra maneira, permitia que tivesse uma relação muito diferente dentro deste curso, porque a atenção da rádio sempre foi diferente".

"Isto é um curso onde de repente havia pessoas que telefonavam e que tinham momentos na rádio [do tipo] `essa casa eu lembro`", permitindo mostrar como "a alta definição da rádio" era utilizada "como uma rádio de verdade".

"Não era a utilização da rádio com coisas que não pertenciam à rádio. Era a utilização da rádio enquanto instrumento preciso de comunicação de massas", frisou.

As duas exposições podem ser visitadas até 26 de maio.

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