História da ponte romana de Negrelos será "contada" aos viajantes
Arqueólogos que acompanham a reconstrução da ponte romana de Negrelos, no limite dos concelhos de Guimarães e Santo Tirso, vão instalar nas imediações painéis informativos sobre o espólio relevante que encontrarem, disse hoje fonte ligada ao processo.
De acordo com Álvaro Moreira, arqueólogo da câmara de Santo Tirso, o "espaço interpretativo" incluirá também painéis sobre a importância e interesse histórico daquele monumento nacional, referências às sucessivas intervenções e elementos sobre as técnicas de engenharia adoptadas.
Todas estas informações serão desenvolvidas posteriormente em livro, acrescentou a fonte.
A ponte foi construída no primeiro ou segundo século depois de Cristo e ruiu parcialmente a 11 de Março deste ano, estando a ser recuperada desde Junho, num investimento de 380 mil euros (projecto, obra e arqueologia), pago pelas autarquias de Guimarães e Santo Tirso.
Os trabalhos estão a ser acompanhados pelo Gabinete de Arqueologia de Santo Tirso e por especialistas da Universidade do Minho qualificados na área da reabilitação de alvenarias de interesse histórico.
O projecto teve o acompanhamento e a aprovação da Direcção- Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais.
Álvaro Moreira frisou que o "levantamento exaustivo" da ponte está ainda por concluir, mas adiantou que já foram encontrados vários elementos de interesse arqueológico, como uma epígrafe e pelo menos seis siglas.
As siglas são pequenos símbolos incrustados nas pedras que revelam as oficinas de cantaria envolvidas na construção da estrutura, explicou o arqueólogo.
Referindo-se à epígrafe encontrada, Álvaro Moreira disse que é uma inscrição medieval constituída por quatro letras, que está ainda a ser decifrada ao detalhe.
Entre outros elementos históricos até agora identificados encontram-se "sinais" de uma obra de conservação que terá sido feita nos séculos XIV ou XV.
"A ponte apresenta múltiplas transformações ao alçado original, embora as características principais da época romana se mantenham inalteradas", disse Álvaro Moreira.
A estrutura dava sequência a uma via romana secundária ligando o Porto ao entroncamento do sul de Taipas da estrada Braga-Mérida, estabelecendo hoje a ligação entre as localidades de S. Martinho do Campo (Santo Tirso) a Lordelo e Moreira de Cónegos (Guimarães).