Historiador António Ventura apresenta livro sobre Carbonária e incita a estudar a República

Lisboa, 10 Abril (Lusa) - A dois anos do centenário da instauração da República Portuguesa, o docente e historiador António Ventura considera que se justifica estudar "a História dos partidos políticos e dos movimentos sociais, bem como a História cultural" do regime republicano.

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António Ventura falou à agência Lusa antes do lançamento da segunda edição de "A Carbonária em Portugal", apresentada pelo historiador Francisco Carromeu Gomes no Grémio Lusitano, em Lisboa, numa sessão com a presença de António Reis, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano - Maçonaria Portuguesa.

"Trata-se de um estudo sobre uma organização secreta, pelo que a informação é escassa", assinalou António Ventura, acrescentando que o livro reúne "o que foi divulgado na imprensa, memórias e testemunhos".

O volume "incide sobre as duas Carbonárias - a Portuguesa e a Lusitana - existentes em Portugal no final do século XIX e aborda o importante papel destas organizações na mobilização popular, o que é mais evidente após 1907 e até à instauração da República", revelou o investigador.

Com diferenças evidentes - a Carbonária Portuguesa era constituída exclusivamente por republicanos, enquanto a Lusitana incluía anarquistas e socialistas - as duas organizações tinham em comum a intenção de destronar a Monarquia e instaurar a República.

"Entre 1907 e 1908 dá-se a absorção quase total da Carbonária Lusitana pela Portuguesa, que no período imediatamente anterior à queda da Monarquia reunia milhares de pessoas pelo País, havendo a indicação - difícil de confirmar - de 40 mil elementos", contou António Ventura.

Segundo o historiador, "como se tratava de uma organização de contra-poder, a Carbonária Portuguesa pouco durou após a instauração da República Portuguesa", a 05 de Outubro de 1910.

O volume "A Carbonária em Portugal", editado pela Livros Horizonte, inclui testemunhos sobre os rituais de iniciação da organização secreta, "que tinham lugar em Lisboa e arredores, por vezes com pormenores pitorescos", bem como uma listagem das "largas dezenas de pessoas" que, durante a monarquia, sobretudo entre 1906 e 1910, foram presas sob a acusação de pertencerem à Carbonária.

Professor do departamento de História da Faculdade de Letras de Lisboa e director do centro de estudos José Régio, António Ventura, de 55 anos, tem em preparação "um estudo sobre a Maçonaria durante a I República".

O também director de A Cidade - Revista Cultural de Portalegre e da Revista da Faculdade de Letras revelou ainda que está a trabalhar "numa biografia do parlamentar Magalhães Lima", destinada a uma colecção de perfis de figuras do Parlamento.

HSF.


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