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Historiadora demonstra como "ciclo litúrgico" regulava quotidiano medieval

Historiadora demonstra como "ciclo litúrgico" regulava quotidiano medieval

Redação, 01 abr (Lusa) -- A historiadora Ana Rodrigues Oliveira afirma "o homem medieval pautava a sua existência pelo ciclo litúrgico" e cita o rei D. Duarte, que aconselhava a não temer a morte, para se "poder apreciar a vida".

Lusa /

A historiadora faz esta afirmação na obra "O dia-a-dia em Portugal na Idade Média", na qual procura traçar, de forma "acessível e simples", sem abdicar do rigor, o quotidiano vivido entre os séculos XII e XV.

"A lembrança da morte, em vez de levar à repressão do prazer e da alegria, fazia vivê-los com mais intensidade", afirma a historiadora.

A autora divide a obra "O dia-a-dia em Portugal na Idade Média" em cinco partes: a família, a política, a religião e a vida em sociedade, e inclui ainda uma genealogia da família real portuguesa, de D. Afonso Henriques a D. João III. Para cada uma das partes em que se subdivide a obra, a autora escolheu um provérbio medieval alusivo ao tema tratado.

A escolha dos provérbios é justificada por serem "reveladores dos valores culturais e morais, de uma sociedade, das suas grandezas e misérias, dos seus conceitos e preconceitos, dos seus sensatos e ridículos".

A historiadora reconhece que "há, certamente, muitos outros temas igualmente válidos", mas "houve que reduzir e selecionar informação".

Ana Rodrigues Oliveira defende que "a História não é contada apenas através dos grandes feitos, mas também através da vivência do quotidiano e dos comportamentos de um povo através dos tempos".

O que a historiadora se propõe a desvendar nesta obra é "como se vivia e morria na Idade Média", reconhecendo que as situações do quotidiano medieval "geralmente não são muito referidas nos manuais ou livros de História".

Rodrigues Oliveira afirma que não pretende ser exaustiva, dando antes "uma visão abrangente da época", num "texto simples, mas não simplista, pois em nenhum momento se abdicou do rigor histórico", adverte.

A obra, de 304 páginas, editada pela Esfera dos Livros, inclui em anexo um conjunto de notas para "esclarecimento mais aprofundado ou complementar".

Ana Maria Rodrigues Oliveira doutorou-se em 2004 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, sendo a sua área de especialização a História da Cultura e Mentalidades.

Coautora de vários manuais escolares, e é autora de diferentes títulos, entre eles "As relações de fronteira no século de Alcanices", "As representações da mulher na cronística medieval portuguesa", e colaborou em vários capítulos da "História da vida privada em Portugal", editada em 2010.

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