Historiadora Isabel Cordeiro, uma carreira dedicada ao património, dos museus ao CCB

Lisboa, 10 mar (Lusa) - A historiadora Isabel Cordeiro, indigitada para o conselho de administração do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, desempenhava, desde fevereiro de 2014, funções de assessoria à direção do Museu Nacional de Arte Antiga.

Lusa /

Licenciada em História, na variante de História da Arte, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Isabel Cordeiro, de 49 anos, efetuou, em 1989, um curso de Gestão das Artes, no Instituto Nacional de Administração, e, no mesmo ano, frequentou o mestrado em História do Século XX, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Foi diretora-geral do Património Cultural, em regime de substituição, de novembro de 2012 a 04 de fevereiro de 2014, altura em que saiu, não tendo concorrido ao concurso público para o cargo, em que veio a ser rendida por Nuno Vassallo e Silva.

A responsável, parca em declarações à imprensa, limitou-se a afirmar ao diário Público: "Digo apenas que saio por uma questão de lealdade para comigo e para com o projecto que quis construir com as equipas desta casa. As divergências são exclusivamente de ordem técnica e têm a ver com aquilo que entendo serem as competências da Direção-Geral do Património Cultural e as suas linhas de actuação".

A tutela, exercida então pela secretaria de Estado da Cultura, liderada por Jorge Barreto Xavier, considerou que estas declarações não eram "oportunas".

A esta saída da DGPC não foi alheio o caso dos quadros de Joan Miró, provenientes da coleção do ex-Banco Português de Negócios (BPN), uma vez que a diretora-geral tinha enviado ao parlamento um documento em que explicou todas as ações desenvolvidas, para mostrar a intenção de salvaguardar este património.

Nesse documento da DGPC, era sublinhada a importância da coleção, quer do ponto de vista cultural quer patrimonial, acrescentando-se que se chegara a enviar, às empresas Parvalorem e Parups, proprietárias legais dos quadros desde 2010, quando foram criadas para recuperar os créditos do ex-BPN, uma proposta de interesse na aquisição da coleção Miró, que tinha sido remetida à DGPC.

No texto, assinado pela então diretora-geral Isabel Cordeiro, a DGPC sublinhava que, apenas em janeiro de 2014, tinha tido conhecimento, através da imprensa, de que a coleção seria objeto de expedição para Londres e, de imediato, contactou a Parvalorem, comunicando-lhes os prazos e procedimentos legais exigidos no quadro da Lei de Bases do Património Cultural, para a exportação de bens culturais de território nacional.

Antes de assumir, em regime de substituição, a liderança da DGPC, em novemvro de 2012, Isabel Cordeiro foi diretora do Palácio Nacional de Queluz, de 2008 a 2012.

De 2005 a 2007, após um breve período, em funções de assessoria, no Museu Nacional de Arte Antiga, assumiu a direção do Departamento de Divulgação e Apoio ao Visitante da Sociedade Parques de Sintra - Monte da Lua, após o que regressou, em janeiro de 2007, ao Instituto dos Museus e da Conservação, enquanto assessora do quadro de pessoal.

De 2002 a 2005, foi subdiretora-geral do Instituto Português de Museus, tendo ainda no seu currículo outras funções como as de diretora de serviços de Inventário do Instituto Português de Museus, cargo que desempenhou de 1998 até 2002, tendo sido chefe de gabinete da secretária de Estado da Cultura, Catarina Vaz Pinto, quando o ministério era ocupado por Manuel Maria Carrilho.

Em finais de 1996, foi requisitada ao Instituto Português de Museus, para gestão de projetos da Iniciativa Mosaico, uma estrutura de projeto na dependência do gabinete do ministro da Cultura.

Desde 1993, fazia parte do Instituto Português de Museus, onde dera entrada em 1992, na carreira de técnica superior, assumindo a coordenação editorial das publicações do instituto e dos museus, entre outros projetos.

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