Histórica galeria 111 excluída da ARCO de Madrid por "falta de qualidade" - Cristina Guerra
Lisboa, 07 Fev (Lusa) - A exclusão da histórica Galeria 111 da 27ª edição da ARCO - Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madrid deveu-se a "falta de qualidade do stand" justificou hoje a representante portuguesa no comité de seleção do certame espanhol.
Em declarações à agência Lusa, Cristina Guerra sublinhou que a decisão "foi tomada pelo conjunto de galerias do comité com base no projecto que tem vindo a ser apresentado na feira" de arte contemporânea de Madrid, que inaugura a 13 de Fevereiro, com 13 galerias portuguesas.
A Galeria 111 divulgou hoje uma carta aberta a contestar a sua exclusão da 27ª edição da ARCO, que, na opinião do galerista Rui Brito, ficou a dever-se a "manifesta ignorância da directora da Arco (Lourdes Fernández) e da representante portuguesa do comité de selecção" (a galerista Cristina Guerra), afirmando que nunca foi visitado por nenhuma das responsáveis.
Criada em Lisboa em 1964 e no Porto em 1971, a 111 é uma das mais antigas galerias de arte do país e tem vindo a representar artistas conceituados de várias gerações, tais como Paula Rego, Eduardo Batarda e Ana Vidigal.
Com base na colecção de mais de duas mil obras de Manuel Brito, o fundador da galeria - que começou a participar na ARCO em 1986 - foi criado em Algés o Centro de Arte Manuel de Brito, aberto ao público em Novembro de 2006.
Cristina Guerra, que faz parte do comité de selecção da ARCO pelo segundo ano consecutivo, afiançou que a decisão de excluir a Galeria 111 do certame "não tem nada a ver com perseguição ou má vontade, mas com uma constatação de falta de qualidade que se verifica há algum tempo, e sobre a qual tem vindo a ser chamada a atenção dos responsáveis".
"Há um respeito real por se tratar de uma galeria histórica, com um passado de 40 anos, mas o projecto tem que ser repensado porque não tem qualidade suficiente para estar na feira. Já o Pedro Oliveira (antecessor de Cristina Guerra no comité de selecção da ARCO) tinha chamado a atenção da Galeria e nada mudou", explicou a galerista, lamentando que a 111 tenha divulgado uma carta aberta sobre a situação.
Rui Brito - que lidera a actual comissão de gestão da Associação Portuguesa de Galerias de Arte (APGA) - salienta na carta aberta, a que Lusa teve acesso, que alguns dos artistas que representa integram as principais colecções do país, nomeadamente o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, a Culturgest, o Centro Cultural de Belém, a Fundação EDP, o Museu de Arte Contemporânea de Elvas, Fundação Ilídio Pinho, e Fundação de Serralves.
Montra internacional da arte contemporânea onde estão anualmente cerca de 300 galerias de mais de trinta países, a ARCO tem vindo a tornar-se numa "peregrinação" obrigatória para os galeristas, curadores e artistas portugueses.
Nesta 27ª edição, do total das galerias, 73 são espanholas e entre as 222 estrangeiras, o Brasil terá 32 e Portugal faz-se representar este ano com 13 (11 são associadas da APGA), todas elas históricas na sua presença no certame.
António Henriques - Arte Contemporânea, Carlos Carvalho - Ara Galeria de Arte, Cristina Guerra - Contemporary Art, Fernando Santos, Filomena Soares, Graça Brandão, Lisboa Vinte, Mário Sequeira, Pedro Cera, Pedro Oliveira, Presença, Quadrado Azul e Vera Cortés são as galerias portuguesas que estarão presentes na ARCO.