Histórico Mosteiro de Santa Maria de Salzedas reabre a 26 de outubro

Tarouca, 20 out (Lusa) -- O histórico Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, em Tarouca, reabre ao público no dia 26 depois de obras de requalificação no valor de um milhão de euros, anunciou a Direcção Regional de Cultura do Norte.

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O secretário de Estado da Cultura, Francisco Viegas, preside à cerimónia de inauguração que conta ainda com o lançamento do livro infantil "O Mosteiro de Santa Maria de Salzedas: as formigas, o gaio e as pedras", com textos de José Jorge Letria e ilustrações de Elsa Lé.

A intervenção decorreu no âmbito do projeto "Vale do Varosa", promovido pela DRCN, que conta com o financiamento do Programa Operacional Regional do Norte (ON.2 - O Novo Norte).

O investimento global do projeto é de cerca de três milhões de euros, sendo a parcela correspondente à abertura de Salzedas ao público de um milhão de euros, sendo que só a obra de construção civil teve um custo de 702 mil euros.

É uma autêntica viagem pela história do país e do Douro. Salzedas foi construído pela Ordem de Cister, que está ligada à fundação da nacionalidade, ao rei D. Afonso Henriques e ao desenvolvimento da produção vitivinícola da região.

O edifício foi construído no século XII pela Ordem de Cister, tendo sofrido depois ampliações e alterações nos séculos XVII e XVIII. Em 1834, o mosteiro foi extinto, destruído e vendido em hasta pública. Atualmente, uma parte do monumento pertence à igreja, enquanto a outra é privada.

O coordenador do projeto, Luís Sebastian, disse à Agência Lusa que a intervenção começou pelo mosteiro, e não pela sua igreja, devido ao espólio que se encontrava espalhado pelo edifício "num avançado estado de degradação". "Era imperativo agir, restaurar e conservar este espólio", frisou.

A obra abrangeu os dois claustros do mosteiro e a ala nascente, que inclui a "monumental" sacristia e o piso superior, onde está a ser instalado um núcleo museológico para expor parte do espólio do mosteiro, como obras de arte sacra ou até óculos raros.

"Temos um espólio diverso e de grande qualidade, mas muito fragmentado", sublinhou Luís Sebastian, salientando os quadros de Grão Vasco ou Pascoal Parente.

O responsável explicou ainda que, neste restauro, se assumiu "toda a história do edifício. Parte do mosteiro foi desmantelada, a pedra vendida e até uma outra ala foi usada como celeiro". "Todas essas ações de destruição fazem tão parte do mosteiro como o momento de construção ou ampliação", acrescentou.

Os novos elementos que foram introduzidos, como tetos ou escadas, não encostam nas paredes, permitindo visualizar a parte antiga e tornar, na opinião do coordenador, a visita mais "interessante".

O Estado, através da DRCN, está a intervir na área correspondente à propriedade da paróquia ao abrigo de um protocolo de 20 anos. Depois, para a parte privada, Luís Sebastian diz que existe a vontade do proprietário de avançar com a construção de um hotel rural.

O "Vale do Varosa" visa aproveitar a "grande concentração" de imóveis e elementos históricos no vale deste rio, num projeto que pretende complementar a oferta turística do Douro Património Mundial da UNESCO.

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