ICA admite rever apoios à exibição de cinema e sugere formação de programadores
Lisboa, 20 fev 2026 (Lusa) -- Rever os apoios financeiros, conhecer o perfil dos espectadores e formar programadores nas autarquias são algumas das necessidades identificadas hoje pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) sobre a exibição de cinema no país.
O diagnóstico foi traçado pelo presidente do ICA, Luís Chaby Vaz, numa sessão pública promovida hoje pelo Ministério da Cultura na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, a propósito dos recentes fechos de salas de cinema no país.
Esse breve diagnóstico foi feito depois de uma auscultação a diferentes agentes do setor, na sequência de um grupo de trabalho anunciado em novembro passado pela ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes.
Na sessão, Luís Chaby Vaz reconheceu o "eventual desajuste existente nos sistemas de apoio do ICA em vigor para apoiar a exibição e a distribuição" e que esses programas precisam de um "refrescamento para serem mais eficazes".
"O nosso mercado tem uma quota substancial de grandes exibidores e um domínio muito grande de distribuição. O Estado tem de dar resposta em complemento a estas características. A exibição privada é legítima, mas não resolve os problemas", disse.
O presidente do ICA sublinhou ainda a necessidade de "olhar com mais compreensão para o território e para as necessidades das autarquias, porque são poucas as que programam sessões de cinema" nos auditórios que tutelam e com algum grau de especialização de equipas.
"As autarquias têm de olhar para os seus centros urbanos e identificar salas que possam ser usadas para exibição de cinema. Temos de encontrar mais salas para garantir oferta", sublinhou ainda Luís Chaby Vaz.
De acordo com os dados mais recentes do ICA, a exibição de cinema em janeiro contava com 450 salas de cinema, o que significou menos 112 salas em relação a 2025, por via de encerramento de várias salas da operadora Cineplace, alvo de um processo de insolvência, e também de algumas salas da NOS Lusomundo Cinemas.
Com o encerramento de salas nos últimos meses, atualmente existem cinco capitais de distrito sem exibição comercial regular de cinema: Beja, Bragança, Guarda, Portalegre e Viana do Castelo.
Chaby Vaz insistiu num problema de desigualdade territorial, em particular fora dos grandes centros urbanos, indicando que mais de metade dos 308 concelhos (53%) não tinha sessões de cinema.
"Devíamos ter esse objetivo ambicioso de chegar a 2027 com todos os concelhos com exibição de cinema", disse.
Com base na auscultação do setor, Chaby Vaz afirmou ainda a necessidade de se fazer um estudo de mercado mais alargado para saber quem são os espectadores de cinema em Portugal, e igualmente "refletir sobre o preço dos bilhetes".
"O problema não é o preço do bilhete, mas o que representa no bolso dos portugueses", disse.
De acordo com os dados apresentados hoje, em 2004 -- ano em que o ICA começou a sistematizar estatísticas --, um bilhete de cinema custava, em média, 4,19 euros, e em 2025 o valor era de 6,47 euros.
Em 2025, as salas de cinema registaram cerca de 10,8 milhões de espectadores, o que representa o valor mais baixo de audiência desde 2004 (com 17,1 milhões de entradas), excetuando-se os anos da pandemia da covid-19 (2020-2022).
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