"In Folio" é uma livraria nos Açores para intelectuais do pensamento
Angra do Heroísmo, 26 out (Lusa) - A In Folio, com 12 mil títulos e 18 mil volumes, é uma livraria "de fundo" sem ser alfarrabista, dirigida para "intelectuais do pensamento" e menos para os que procuram "livros do momento".
"Eu não gosto de uma livraria de novidades, `bestsellers` ou capas em relevo com letras a brilhar, mas do lugar onde se encontram obras essenciais do pensamento e conhecimento", afirmou à Lusa Paula Quadros, proprietária desta livraria de Angra do Heroísmo, na Terceira, Açores.
Os livros que tem para vender "não são para as elites do dinheiro, daquela com sinais exteriores de riqueza ou tontice, mas para a elite do pensamento, cultura, arte, beleza do espírito humano e da humanidade".
Paula Quadros, economista com mestrado em Gestão Pública, foi professora do ensino secundário até se reformar, mantendo, como passatempo, desde 1989, a livraria In Folio.
"Cresci numa casa cheia de livros, onde aprendi a ler sem ninguém dar conta e foi, por isso, natural ter uma livraria, menos pelo negócio e mais por gosto e ocupação nos períodos de vida menos ativa", afirmou Paula Quadros, que, conhecedora das fórmulas para desenvolver negócios viáveis, sabia que a livraria "não teria rentabilidade económica porque Angra do Heroísmo não tem público com interesse suficiente na leitura para a suportar".
"Uma livraria sem negócio paralelo, como papelaria, por exemplo, não é viável, nunca foi e creio que nunca será", salientou, considerando "o baixo grau de instrução ou a existência de uma instrução muito técnica e virada para a função laboral, com pouco interesse pelas humanidades" como obstáculos ao negócio.
Como espaço generalista, a In Folio alberga livros de literatura, filosofia, temas infantis e uma vasta secção de poesia, sendo Paula Quadros que escolhe os títulos "de acordo" com o seu gosto.
Paula Quadros desconhece quantos livros se vendem na ilha Terceira mas na sua livraria, de que se assume, com uma gargalhada, como "a melhor cliente", vende mais história e ficção anglo-saxónica.
"Muitos abrem a porta e nem entram porque percebem não ser espaço para eles", frisou, acrescentando que outros "entram quando não há em outros locais o que querem mas nem têm curiosidade pelo espólio".
Os elogios vêm dos "turistas nacionais, que compram edições mais antigas e, atrás de uma, levam duas ou três".
Arrumadas ordenadamente por temas, estão "novas e velhas obras", salientando Paula Quadros que "Meninos de Ouro", de Agustina Bessa-Luís, foi um dos primeiros livros que adquiriu para a livraria.
"Tudo aqui é meu. Não faço devoluções porque os transportes são caros. Compro o que penso que vendo ou que quero que fique cá", afirmou Paula Quadros, que, por não ter filhos, se preocupa com o futuro da livraria, admitindo que alguns livros poderão ficar com familiares e os restantes doados "a uma biblioteca que os trate bem".