Instalação de Rui Chafes "Pickpocket" abre retrospectiva dedicada a Bresson

Lisboa, 17 Fev (Lusa) - Uma instalação inédita concebida por Rui Chafes, e baptizada "PickPocket", título de um filme de Robert Bresson, marca o início da retrospectiva que a Cinemateca Portuguesa dedica a partir de quinta-feira ao realizador francês.


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Composta por seis esculturas e mais seis elementos que só serão revelados na altura da inauguração, às 20:00, antes da exibição do filme "Pickpocket/O Carteirista" (1959), a instalação "tem a ver com os gestos íntimos, a ideia do roubo, a ocultação e o espaço", explicou o escultor à Agência Lusa.

Rui Chafes referiu que se trata de um projecto especial que inclui a retrospectiva dos 14 filmes de Bresson, a instalação dedicada ao realizador, e o lançamento de um livro com textos e poemas de João Miguel Fernandes Jorge que inclui ainda fotografias criadas por Rita Azevedo Gomes sobre as esculturas e os filmes.

Instalação, livro e retrospectiva cinematográfica partilham o mesmo nome: "Pickpocket", um filme com Martin Lassalle, Marika Green e Pierre Leymarie, considerado a obra-prima de Robert Bresson, um dos maiores realizadores franceses do século XX.

Longa-metragem em que o estilo de Bresson se afirmou de modo definitivo, "Pickpocket" é descrito como o seu filme mais austero e depurado, mas também o mais misterioso, feito essencialmente dos gestos do carteirista como metáforas da posse, da revolta e finalmente do amor.

Rui Chafes recordou que fez anteriomente outras peças inspiradas nos filmes de Robert Bresson, nomeadamente um retrato do realizador que esteve exposto no Palácio da Pena, em Sintra, em 2000.

"Mas fico particularmente feliz por esta instalação ser apresentada no contexto da retrospectiva e com o livro de poesia do João Miguel Fernandes Jorge", de quem surgiu o convite para o escultor criar uma obra alusiva a Bresson.

As seis esculturas e mais seis elementos "formam um bloco dedicado a Bresson e ao filme Pickpocket", apontou, escusando-se a revelar mais pormenores, que o público poderá descobrir a partir de quinta-feira.

O artista confessou que todos os filmes do realizador francês o marcaram, e, em particular, além de "Pickpocket", também "Au Hasard Bathasar/Peregrinação Exemplar" (1966) e "Mouchette/Amor e Morte" (1967).

"Os filmes de Bresson são de tal maneira coesos e, simultaneamente, monolíticos e abertos, que todos têm uma presença importante e são parte de um discurso e de um pensamento que foi importante para o desenvolvimento do meu trabalho", declarou o artista, formado em Escultura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e na Kunstakademie de Dusseldorf, na Alemanha.

Rui Chafes considera mesmo que os filmes de Bresson são obras "insubstituíveis e importantes" no quadro do desenvolvimento do seu trabalho como artista plástico, nascido em Lisboa, há 42 anos.

"Reviver Bresson" foi o nome da primeira retrospectiva integral que a Cinemateca dedicou ao realizador, em Maio de 1997, e dois anos mais tarde, após a morte do realizador, prestou-lhe nova homenagem.

Em 2000 voltou a mostrar sete dos seus filmes: "Les Anges du Péché", "Les Dames du Bois de Boulogne", "Le Journal d´un Curé de Campagne", "Le Procés de Jeanne D´Arc", "Mouchette" e "L´Argent".

No ano seguinte foi celebrado o centenário do nascimento do realizador exibindo três dos seus filmes: as duas primeiras longas-metragens - "Les Anges du Péché", "Les Dames du Bois de Boulogne" - e o seu penúltimo filme, "Le Diable Problablement".

Agora, a Cinemateca apresenta uma retrospectiva com 14 filmes, 13 realizados ao longo de 40 anos (1943/1983) e a sua primeira obra "Les Affaires Publiques" (1934), dada como desaparecida durante muitos anos.

AG.

Lusa/Fim


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