Instituto alemão Goethe promove reflexão sobre a II Grande Guerra
O Instituto Goethe, alemão, organiza, a 09 e 10 de Maio na sua sede em Lisboa, um ciclo de actividades intitulado "O Ódio do Outro", para reflectir sobre a II Grande Guerra, que terminou há 60 anos.
A 09 de Maio, o Instituto Goethe acolhe leituras de "Espiões", do alemão Marcel Beyer, "O Comprador de Aniversários", do espanhol Adolfo García Ortega, e "O Último Acto", do norte-americano Robert Wilson, nos idiomas originais e pelos próprios autores, sendo ainda projectadas as traduções portuguesas dos excertos das obras.
Em "Espiões", Beyer partilha memórias da II Guerra Mundial, apesar de não ter sido ele a vivenciar o conflito, em "O Comprador de Aniversários", García Ortega relata a vida não vivida de Hurbinek, um menino judeu que morre no campo de concentração de Auschwitz aos três anos, e "O Último Acto" serve para Wilson entrecruzar os caminhos de refugiados e agentes secretos dos diferentes países beligerantes.
Para dia 10 estão programados vários debates, o primeiro dos quais tem por título "Como surgiu a ideologia da demonização e a fantasia do extermínio?", estando previstas a participação de António Louçã (historiador, Lisboa), Jean Hatzfeld (jornalista e escritor, França), Reyes Mate Rupérez (Instituto de Filosofia, Madrid) e Michael Wildt (Universidade de Hanover).
O segundo debate, subordinado ao tema "Como é que a ideologia se apoderou das massas e se tornou violência materializada?", deve contar com intervenções de Siegfried Beer (Universidade de Graz), Fernando Rosas (Universidade Nova de Lisboa), Reyes Mate Rupérez (Instituto de Filosofia, Madrid) e Josette Anger-Weller (co-autora de "Les territoires perdus de la République", França).
"A perspectiva das vítimas" é o título da terceira mesa- redonda, em que estarão presentes Patrik von zur Mühlen (historiador, Alemanha), Fritz Teppich (testemunha da época, Berlim), Miguel Vale de Almeida (ISCTE) e Vítor Marques (União Romani).
A jornada termina com "Como se consegue ultrapassar o ódio?", colóquio que contará com Moshe Zimmermann (Universidade Hebraica de Jerusalém), Basil Kerski (revista Dialog, Berlim), Elke Gryglewski (organização Aktion Sühnezeichen/Friedensdienste und Haus der Wannseekonferenz, Berlim), André Tolentino (Fundação Calouste Gulbenkian) e Valentim Alexandre (ICS).
No Dia Internacional do Holocausto, que hoje se assinala, Kurt Scharf, director do Instituto Goethe, e Philippe Reliquet, director do Instituto Franco-Português, que é parceiro da iniciativa, esclarecem que, "seis décadas depois da guerra mais cruel que a Humanidade viveu até agora", é necessário promover a reflexão para que se tirem "ensinamentos da História".
Afirmando que "antigos inimigos, vítimas e cúmplices mostram, com o passar do tempo, mais disponibilidade para reflectir sobre a sua implicação nos acontecimentos de então", os organizadores de "O Ódio do Outro" lembram ainda que "o flagelo da repressão por regimes anti- democráticos não só colheu vítimas na Alemanha, Áustria e França, mas também na Península Ibérica, apesar de Espanha e Portugal não terem estado directamente envolvidos na Segunda Guerra Mundial".
O contexto histórico e cultural da II Grande Guerra é também abordado na exposição "Geração Esquecida - Erick Kahn - Judeu Sobrevivente, Expressionista Alemão", que hoje arrancou no Sintra Museu de Arte Moderna, onde ficará patente até 02 de Outubro.
A obra de Erich Kahn, que inclui pintura, gravura, desenho e apontamentos, é apresentada pela primeira vez em Portugal, dando a conhecer o espólio deste artista de ascendência judaica, que foi entretanto adquirido pela Colecção Berardo.
Em "Geração Esquecida" também será recordada a perseguição nazi ao povo judaico - com a apresentação de fotografias da época e das películas "Sob Céus Estranhos", de Daniel Blaufuks, e "A Palavra às Testemunhas", de Esther Mucznik - e será feita referência aos artistas rejeitados e humilhados pelo regime de Adolf Hitler.