Instituto Nacional de Cinema da Guiné-Bissau cria projecto audiovisual para jovens

| Cultura

O Instituto Nacional de Cinema (INC) da Guiné-Bissau apresentou hoje em Bissau um projecto inovador ligado à formação no domínio do audiovisual em favor da juventude do país, que conta com o apoio de Portugal.

Em declarações à Agência Lusa, o presidente do INC, Carlos Vaz, sublinhou que o projecto, apoiado pelo Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimédia (ICAM) de Portugal, propõe a concretização de um cartaz de cinema seleccionado, "sem cenas de violência", e, paralelamente, desenvolver actividades culturais.

"As actividades culturais passam também pela área da formação e visam desviar o maior número possível de jovens da delinquência, dos crimes e da prostituição para uma acção educativa", sublinhou Carlos Vaz, antigo jornalista e também actor e encenador.

O projecto, que termina em Dezembro, vai decorrer no rebaptizado Auditório José Bolama Cobumba (pioneiro do cinema guineense), actualmente em obras de recuperação, pois o espaço, conhecido por "Salão de Congressos", estava degradado há quase duas décadas.

Paralelamente à apresentação do projecto, e com o apoio do Centro Cultural Português de Bissau, o INC vai exibir três filmes de longa-metragem, tendo o primeiro sido projectado hoje - "Tudo Isto é Fado", do realizador português Luís Galvão Teles.

Quinta e sexta-feira serão exibidos "Xime", do realizador guineense Sana Na Hada, e "Nha Fala", do mais consagrado cineasta da Guiné-Bissau, Flora Gomes, já premiado com várias distinções em diferentes festivais de cinema.

Já este mês, explicou Carlos Vaz à Lusa, dá-se início à projecção de filmes a favor da juventude, através do equipamento digital oferecido em Janeiro último pelo ICAM, e à formação de jovens para a produção cinematográfica e audiovisual.

Em Maio, após as obras de reparação, entra em pleno funcionamento o Auditório para, nos meses seguintes, começar a preparação de cinco curtas-metragens e documentários, em formato digital, sobre temas ligados aos problemas da juventude.

Em Outubro e Novembro serão produzidas cinco realizações digitais feitas pelos melhores autores da formação, que serão, em Dezembro, apresentadas no auditório, concluindo-se o projecto com a avaliação final da iniciativa.

O custo global do projecto está orçado em cerca de 59,2 milhões de francos CFA (90 mil euros), tendo o ICAM, com a oferta do equipamento digital e outros subsídios, diminuído já essa verba em 4,65 milhões de francos CFA (7.100 euros).

"Espera-se que este projecto possa contribuir substancialmente para a mudança de mentalidade e de atitude dos jovens face ao desenvolvimento e à acção educativa", sublinhou à Lusa Carlos Vaz.

O INC foi criado em 1977 e oficializado em 1978 mas, por razões financeiras e pela falta de uma política para o sector, acabou por nunca funcionar, ao mesmo tempo que as salas de cinema herdadas do regime colonial português se foram degradando.

Resgatado em 2004 pelo actor e encenador Carlos Vaz, o INC foi relançado com o apoio do ICAM, que já efectuou duas missões a Bissau, numa delas para participar no I Encontro Nacional de Cinema da Guiné- Bissau, realizado em fins de Janeiro.

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