Instituto Português Museus rejeita alterações a muro contestado no Museu Abade de Baçal em Bragança

O presidente do Instituto Português dos Museus (IPM), Manuel Oleiro, afastou hoje qualquer possibilidade de correcção do muro em construção no Museu Abade de Baçal de Bragança contestado pela freguesia local.

Agência LUSA /

"É impensável estarmos agora, numa fase de finalização do projecto, a proceder a alterações", disse o responsável à agência Lusa, numa reacção à reivindicação da freguesia de Santa Maria, que numa moção enviada à ministra da Cultura e ao IPM exige a correcção do muro.

A autarquia considera que a vedação, na zona histórica, com 2,5 metros de altura nalgumas partes, dá um aspecto de "prisão de alta segurança" a um dos museus mais emblemáticos do Nordeste Transmontano e encobre o único jardim clássico da cidade.

Para o presidente do IPM, o que existe agora de diferente em relação ao passado é "a expressão física do muro", admitindo que a altura é superior à vedação anterior.

Segundo Manuel Oleiro, já existia uma separação entre o jardim e a zona pública e o acesso ao jardim era feito pelo interior do edifício do museu, como vai continuar a ser.

O presidente do IPM não acredita que "haja uma perda para o público" com a construção do novo muro, nem diferenças na utilização do espaço.

Aquele responsável sublinhou que o projecto "teve os pareceres positivos das entidades competentes" e que no processo das obras as autarquias locais não têm que ser ouvidas.

Da mesma opinião não partilha Jorge Novo, o presidente da freguesia de Santa Maria, na zona histórica de Bragança, para quem "neste tipo de intervenções deviam ser ouvidas as sensibilidades locais".

O autarca apelida a obra de "muro da vergonha, que vai servir mais tarde para muro das lamentações dos habitantes de Bragança".

"Parece uma prisão de alta segurança", afirmou à Lusa, considerando que aquele espaço devia ter outra visibilidade para atrair pessoas ao jardim e ao museu, baptizado com o nome do transmontano que recolheu a maioria do seu espólio etnográfico, o Abade de Baçal.

O museu está encerrado há vários meses para a conclusão das obras que se prolongam há mais de uma década e que foram alvo, na fase inicial, dos protestos de movimento cívicos, por a intervenção no edifício principal ter alterado a traça original.

As obras ainda em curso referem-se à ampliação do museu para um edifício contíguo e ao espaço exterior dos jardins.

Segundo o presidente do IPM, a nova zona só reabrirá no Outono, por ser necessário montar as diferentes exposições previstas.

O edifício principal, com a exposição permanente, deverá reabrir antes do Verão, segundo as previsões do mesmo responsável.

A expansão do museu, com um orçamento superior a um milhão de euros, permitiu ainda criar espaços para exposições temporários e áreas de reserva em condições adequadas das colecções que não se encontrem expostas.

O presidente da freguesia de Santa Maria pretende apresentar propostas para dinamizar os espaços dos jardins do museu com diversas actividades.

O presidente do IPM declarou à Lusa que "todas as propostas de outras entidades serão ouvidas, acolhidas quando for possível, se se integrarem na programação e objectivos" deste museu, que pertence à rede nacional de museus.

PUB