Instituto preserva valores e humanismo de Fernando Paulouro Neves
A salvaguarda e a difusão do legado de Fernando Paulouro Neves sustentam a criação de um organismo que pretende transmitir às novas gerações os valores humanistas que nortearam a sua vida.
Apresenta-se com a designação de Instituto Fernando Paulouro Neves (IFPN) e terá como missão incentivar a reflexão e o progresso da sociedade através de publicações e iniciativas de caráter educativo e cultural.
Depois da admissão pelo Instituto de Registos e Notariado, os estatutos desta associação sem fins lucrativos foram registados na quarta-feira e, no dia, a comissão instaladora promove a primeira assembleia geral, para aprovar o regulamento eleitoral e o plano de atividades para 2026.
Participarão vários associados, com presença confirmada de várias geografias, incluindo do Brasil.
Maria Eugénia Ferrão, viúva do jornalista e escritor, é a mentora do projeto, apoiada pela família e amigos que Fernando Paulouro granjeou em várias áreas e geografias.
"A ideia surgiu do grande movimento que o nome do Fernando impulsiona. A perda dele, o falecimento dele, foi um choque para todos nós e naqueles dias, das cerimónias fúnebres e dos apoios de solidariedade que tive juntamente com a família, percebemos que havia uma energia em torno do nome do Fernando que justificava que o seu legado fosse salvaguardado", explicou à agência Lusa.
O legado passa pelo que deixou escrito, em termos jornalísticos e literários, mas também o exemplo como pessoa, que será importante "transmitir aos mais jovens".
"Essa é a responsabilidade que queremos tomar em mãos, o sermos interventivos para nos apropriarmos do exemplo e da obra do Fernando, não só para passar adiante, mas também para mostrar aos mais jovens como é que é possível viver com valores humanistas".
Em suma, este projeto dá corpo ao apelo feito por Fernando Paulouro Neves no último texto que escreveu e que foi publicado no Jornal do Fundão, "Literatura e Memória", quando disse: "Não deixemos que a história se repita".
Ao longo de 2026, o plano de atividades a apresentar conta com três momentos chave. O 31 de janeiro, dia do aniversário de Fernando Paulouro Neves, que coincide com a primeira assembleia geral do Instituto; a semana entre o 25 de Abril e o 1.º de Maio, na qual, para além de outras atividades, é já certo que terá antestreia (dia 25 na Covilhã) e estreia (dia 26 no Fundão) uma obra que o maestro Luís Cipriano está a compor em torno do poema "Sinfonia", de Fernando Paulouro; e o dia 06 de outubro, data do seu falecimento, em que está programado um congresso internacional designado Fórum do Pensamento Novo, nome assente nas iniciais do nome do patrono (FPN).
As autarquias do Fundão e da Covilhã (distrito de Castelo Branco) também farão parte dos membros fundadores, tendo a primeira manifestado disponibilidade para acolher a sede do instituto no concelho onde Paulouro nasceu e trabalhou, enquanto no segundo caso, onde viveu, terá uma delegação.
"A nossa intenção é colocar alguns projetos a funcionar no Fundão e na Covilhã e depois estendê-los à região e ao país, pois o Instituto não terá uma abrangência apenas regional, porque não teremos fronteiras", sublinhou Maria Eugénia Ferrão.
Lembrou que este modelo segue aquilo pelo que Fernando Paulouro Neves "lutou toda a vida, para que o país da risca ao meio deixasse de o ser".
"Portanto, temos de continuar esta batalha que é também contribuir para diminuir as assimetrias territoriais e outras".
Fernando Paulouro Neves morreu em 06 de outubro de 2025, aos 78 anos, um dia depois da apresentação do seu livro "As Sombras do Combatente".
Dedicou quase toda a vida ao Jornal do Fundão, onde foi jornalista, chefe de redação e diretor.
Colaborou com múltiplos jornais e revistas, fez parte do Sindicato dos Jornalistas e da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista e presidiu ao Teatro das Beiras.
Recebeu várias distinções e publicou vários livros.