IPPAR aprova abertura de porta lateral no Castelo de Sines
O Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) aprovou a abertura de uma porta lateral no Castelo de Sines, monumento de Interesse Público datado da primeira metade do século XV, e acompanhou a obra, que fica concluída este fim-de-semana.
Trata-se de um "antigo" projecto da Câmara Municipal de Sines (CMS), que o apresentou ao IPPAR em Junho de 2006.
O município justifica a obra com a necessidade de "um novo acesso ao castelo", uma vez que no seu interior se realizarem actividades e espectáculos de diversa índole, "necessitando o recinto de uma nova saída que garantisse a segurança".
A obra foi aprovada sob a condição de o IPPAR fazer o acompanhamento arqueológico dos trabalhos.
"No local onde foi criado o novo acesso existe um pano de muralha muito recente e o plano de cartografia mostra que já ali existiram várias portas ao longo dos anos", explicou hoje à agência Lusa Marco Andrade, arquitecto do IPPAR e Chefe da Divisão de Salvaguarda.
Postais e fotografias dos séculos XIX e XX mostram o alçado Nascente do castelo e atestam que este "ruiu completamente nos anos 20 do século passado, ficando aberta uma grande brecha na muralha", disse.
A sua reconstrução foi iniciada nos anos 50 e terminada uma década depois, afiançou o IPPAR.
O instituto aprovou o projecto do município com base nessa documentação, considerando-o, "tanto na tipologia do vão a abrir, como na técnica e materiais utilizados, perfeitamente adequado à intervenção pretendida".
"No fundo, é o reabrir de uma porta virada para o Largo João de Deus, que dará ao local as condições de segurança mínimas, já que, ao que parece, o Festival Músicas do Mundo (FMM) veio para ficar", justificou Marco Andrade.
Tendo como horizonte o FMM, que arranca hoje em Porto Covo e decorre no concelho até 28 de Julho, ocupando as muralhas do castelo de quarta-feira a sábado, as obras decorreram no espaço de um mês e meio.
Os trabalhos finais ainda decorrem, devendo a instalação do portão ficar terminada "este fim-de-semana", disse à Lusa Ricardo Pereira, o arquitecto municipal que coordenou a obra.
O técnico garantiu que fica, assim, "resolvido um problema de segurança que o castelo já revelava há muitos anos, sobretudo desde a existência do FMM", que vai na sua nona edição.
Em cada dia de espectáculo, as muralhas albergam no seu interior cerca de seis mil espectadores, servindo ainda o novo acesso, com 2,60 metros de largura e quatro metros de altura, para a entrada e saída de viaturas.
Manuel Coelho, presidente do município, sustenta que "havia uma necessidade inquestionável de realizar esta obra, abrindo um novo acesso no castelo, porque era um risco ter seis mil pessoas no FMM só com uma porta".
Ricardo Pereira defende que esta é também uma forma de "continuar uma tradição secular de realizar eventos no interior do castelo, como provam fotografias do século XIX, que mostram imagens de uma tourada feita no recinto".
Os trabalhos, assegurou, foram feitos "de acordo com todas as regras" e incluíram um período inicial de trabalhos arqueológicos.
"Encontrámos algumas moedas, virotes de besta, louças e utilitários dos períodos romano e medieval, peças que estão agora a ser limpas e estudadas por arqueólogos para, em breve, serem mostradas ao público no Museu de Arqueologia", revelou.
O técnico do município reiterou que a obra foi realizada numa zona do edifício que já fora reconstruída e que, por isso, apresentava "uma pedra mais clara, diferente do resto do castelo".
A obra teve um custo total de 20.000 euros (15.000 referente aos trabalhos de construção civil e 5.000 de arqueologia), dos quais 63 por cento foram financiados pelo Programa Operacional da Cultura e o restante pelo município.
O projecto insere-se numa intenção mais vasta de recuperar o Castelo de Sines, no âmbito do mesmo programa, com uma candidatura já aprovada, que prevê a criação de um pólo arqueológico do Museu Municipal, o restauro da decoração pictórica dos tectos e a construção da Casa de Vasco da Gama.