Irreverência e liberdade crítica marcam obra de Luiz Pacheco - Vítor Aguiar e Silva

Lisboa, 06 Jan (Lusa) - Irreverência, liberdade crítica e capacidade de "destruir corrosivamente as convenções" foram três aspectos destacados em Luiz Pacheco pelo investigador de literatura Vítor Aguiar e Silva em declarações à agência Lusa, hoje, a propósito da morte do escritor.

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"Sempre admirei muito em Luiz Pacheco - disse - o seu espírito de irreverência, a liberdade crítica, a capacidade de destruir corrosivamente as convenções, quase sempre mortas já".

Para Aguiar e Silva, Pacheco era "um espírito que, naquela atmosfera passiva, adormecida, dos anos 50, 60 e ainda 70, trouxe, por vezes com excessos de linguagem, uma lufada de ar novo. Era dos espíritos mais irreverentes deste país".

Sobre o facto de a obra do falecido escritor ser fragmentada, observou que ele "nunca construiu obra organicamente arquitectada talvez pela maneira mental dele próprio, também talvez pelos acidentes da vida - ele tinha de ganhar dinheiro aqui e ali - , e, porventura, porque a censura não lhe permitiria escrever essa grande obra satírica. Ele é, no fundo, um grande satirista".

"Por tudo isto - resumiu - a obra dele ficou em fragmentos, alguns de grande qualidade, como `Comunidade" e `O Libertino passeia por Braga, a idolátrica, o seu esplendor`".

Aguiar e Silva realçou igualmente a intervenção de Pacheco na crítica literária, assinalando a propósito que "tinha vislumbres esxtraordinários" e escreveu "artigos em que realmente revela grande capacidade como leitor".

RMM.


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