James Coleman expõe(-se) no Museu do Chiado em Lisboa

A primeira parte do percurso pela obra do artista irlandês James Coleman é inaugurada esta quinta-feira no Museu do Chiado, em Lisboa, prolongando-se até 20 de Fevereiro; a segunda parte, estreia de um novo trabalho, abrirá a 7 de Janeiro, igualmente até 20 de Fevereiro.

RTP Multimédia com Agência Lusa /
James Coleman: "Lapsus Exposure" (1992-1994) Museu do Chiado (por cortesia de James Coleman)

A primeira parte acompanha o trajecto de James Coleman através da apresentação de seis trabalhos concebidos entre 1970 e 1994, enquanto a segunda parte, que abre portas a 7 de Janeiro, prolonga este trajecto até à actualidade, com a estreia mundial do mais recente trabalho do artista, produzido para esta exposição, segundo informação divulgada pelo Museu do Chiado.

Trata-se da primeira mostra de James Coleman em Portugal, após passagens por vários museus e galerias internacionais, caso do Dia Center for the Arts (Nova Iorque, 1994-1995), do Centre Georges Pompidou (Paris, 1996), da Vienna Secession (Viena, 1997), do Palais des Beaux Arts (Bruxelas, 1999), da Fundació Antoni Tàpies (Barcelona, 1999), do Kunstbau Lenbachhaus (Munique, 2002) e do Sprengel Museum (Hannover, 2002).

Redefinição do objecto artístico

O trabalho de James Coleman emerge no final da década de 60, num contexto de profundas alterações e de preocupações com a redefinição do objecto artístico.

Os seus trabalhos iniciais, incorporando encenações teatrais, são regularmente apresentados em projecções de grande escala, que utilizam projectores de slides com narração sonora sincronizada.

Estes trabalhos iniciais, como Slide Piece (1972-1973), fazem uso da linguagem verbal enunciada de modo retórico, que revela formas interrelacionadas de produção de significado, através da linguagem, da imagem e do espaço; um tema que continua a ter uma presença distinta nos trabalhos mais actuais.

O trabalho de James Coleman redefine profundamente os conceitos de representação e imagem, desenvolvendo implicitamente um discurso sobre a reinvenção do próprio médium.

Exploração da forma

Em trabalhos como Playback of a Daydream, 1974, e Seagull, 1973 (2002), incluídos na exposição do Museu do Chiado–MNAC, Coleman aprofunda estas preocupações através de uma exploração da forma como as teorias contemporâneas da psicologia da percepção, da filosofia da linguagem e do teatro, podem ser utilizadas para questionar o assunto e o objecto de arte.

Adaptando media tecnológicos comerciais, como a fotografia e o cinema, para formas artísticas, como em La Tache Aveugle (1978-1990), o artista incita o espectador a uma reflexão sobre as mudanças ocorridas nos âmbitos sócio-políticos e culturais.

O espectador é convidado e encorajado a contemplar o acto de percepção e interpretação no espaço de exposição, que é especificamente desenhado para acomodar o seu posicionamento subjectivo durante a visualização da obra.

Preocupações com sistemas de comunicação

As preocupações do artista com os sistemas de comunicação são evidentes no trabalho que desenvolve nas décadas de 80 e 90.

Charon (MIT Project), 1989, incluído nesta exposição, pode ser entendido como o seu trabalho mais explicitamente auto-reflexivo sobre a fotografia, cuja influência directa e activa na construção da memória individual e social, juntamente com a identidade subjectiva, é encenada em episódios narrativos separados, mas interrelacionados.

Condicionantes psicológicas, sociais e históricas

Noutros trabalhos deste período (Background, 1992, e INITIALS, 1994), James Coleman continua a sua investigação sobre as condicionantes psicológicas, sociais e históricas da percepção, explorando estereótipos culturais, visuais e literários que sublinham o modo como a nossa percepção do mundo é filtrada através de imagens.

Com Lapsus Exposure, 1992-94, também incluído na exposição, a autoridade da fotografia, enquanto pretensa autenticidade documental e memória histórica, é posta em causa.

Este trabalho reflecte sobre a presença recíproca da encenação teatral e do discurso oral incorporados na imagem fotográfica, transformada pelo advento da fotografia digital.
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