Javier Marías eleito para a Real Academia Espanhola
O escritor Javier Marías foi eleito quinta-feira para a Real Academia Espanhola, na primeira votação e por ampla maioria, o que demonstra o elevado grau de consenso suscitado pela sua candidatura.
Marías, nascido em Madrid em 1951 e considerado um dos mais importantes nomes da ficção espanhola contemporânea, ocupará o lugar deixado vago por Fernando Lázaro Carreter. A sua candidatura tinha sido proposta por Arturo Pérez-Reverte, Gregorio Salvador e Cláudio Guillén.
Ao tomar conhecimento da votação, o autor de "Coração tão branco", um dos seus melhores romances, disse em conferência de imprensa ser "uma honra" ter sido eleito membro de uma instituição "ilustre, civilizada, laica, culta e independente como é a Academia da Língua, com três séculos d3 antiguidade".
Lembrou, a propósito, que já há 12 anos lhe tinham proposto ser académico, mas não lhe pareceu "correcto", então, a aceitar o convite, pelo facto de o seu pai, o filósofo Julián Marias, estar na instituição.
"O meu pai, todavia, antes de morrer, disse-me que, se um dia, me voltassem a fazer a proposta e eu não a aceitasse, haveria de arrepender-me. Embora eu nunca tenha feito muito caso do que me diziam os meus pais, tive em conta esta recomendação", disse.
Ser eleito na primeira votação para a Real Academia Espanha é muito difícil porque é necessário o apoio de dois terços do total dos académicos, actualmente 42.
Na sessão de quinta-feira participaram 31 académicos e seis votaram pelo correio. Marías precisava de um mínimo de 28 votos e obteve 29.
Deste autor espanhol estão traduzidos em Portugal vários livros - romances, contos, textos de crítica e crónicas - entre os quais o já citado "Coração tão branco", "Enquanto elas dormem" (contos), "Quando fui mortal" (contos), "O teu rosto amanhã", "O homem sentimental", "Negras costas do tempo", "Selvagens e sentimentais", "Vidas escritas".