Jô Soares rejeita acusações de preconceito mas pede desculpas se ofendeu
Brasília, 27 Nov (Lusa) - O entrevistador brasileiro Jô Soares disse hoje à Lusa ter sido mal-interpretado na entrevista sobre penteados e sexualidade das mulheres de uma tribo angolana e que não houve racismo por parte de seu programa.
Segundo o entrevistador, que também é actor e escritor, o seu programa está há 19 anos no ar e é dedicado a combater todas as formas de preconceito.
"Não entendo como o meu programa pode ser considerado preconceituoso ou racista a partir de uma entrevista a um homem simples, quase simplório, comentando os costumes anacrónicos de uma tribo africana", disse à Lusa o entrevistador.
No "Programa do Jô", que foi exibido no dia 18 de Junho, o angolano Ruy Morais e Castro, hoje taxista na cidade paulista de Campinas, comenta costumes de uma tribo de seu país a partir de fotografias, relacionando os penteados das mulheres com a sexualidade.
Num dos exemplos, Castro diz que o penteado de uma mulher de cerca de 20 anos indicaria que ela havia feito uma incisão no clitóris para que se tornasse tão "apertada" quanto uma menina de seis ou sete anos, idade em que as mulheres dessa tribo iniciam a vida sexual.
Acusações e queixas de grupos de defesa das mulheres motivaram uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeuiro, cujas conclusões deverão ser conhecidas dentro de dias.
Na avaliação de Jô Soares, tratou-se de um assunto específico mostrando "hábitos e costumes pitorescos" de uma tribo, que não podem ser interpretados como sendo de todas as mulheres de Angola.
"Mas não posso concordar, em nome do multiculturalismo, com hábitos de um homem ter relações sexuais com meninas de sete ou oito anos e também não posso ser a favor de que mulheres decepem seu clitóris (para dar maior prazer aos homens)", ressaltou o apresentador.
Jô Soares disse ainda que não se deve fazer desta entrevista um "cavalo de batalha".
"O meu programa é um dos que mais defende a mulher contra a violência. A gente se faz presente pelo histórico de 19 anos. Classificá-lo como preconceito é que é tirar do contexto", rebateu Jô Soares às críticas de movimentos feministas negros.
"Não entendo como acontece uma tempestade num copo d`água. Estão a usar um episódio não importante para dizer que é uma forma de racismo. Asseguro que não houve manifestação de preconceito", acrescentou.
CMC.
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