Joana Vicente, uma produtora portuguesa em Nova Iorque

Lisboa, 22 Out (Lusa) - Joana Vicente, produtora de cinema radicada em Nova Iorque, afirmou em entrevista à agência Lusa que hoje é arriscado investir em cinema por causa da conjuntura económica, mas mostrou-se confiante numa mudança política nos Estados Unidos.


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Em Portugal para participar como júri no festival DocLisboa, Joana Vicente recordou os primeiros passos no cinema norte-americano e contou o que espera de um país que considera já a sua primeira casa.

Joana Vicente nasceu em Macau, estudou Filosofia em Lisboa, foi assistente de Maria de Lurdes Pintassilgo no Parlamento Europeu e trabalhou nas Nações Unidas até se decidir pela produção de cinema nos Estados Unidos em parceria com o marido, o produtor Jason Kliot.

Ainda antes de atravessar o Atlântico, Joana Vicente foi assistente de produção de António-Pedro Vasconcelos e Paulo Branco e teve uma breve participação como actriz num filme de Alain Tanner.

Em Nova Iorque, onde vive há quase vinte anos, fundou com Jason Kliot a Open City Films e a HDnet Films, empresas com as quais assinaram cerca de quarenta produções cinematográficas independentes para realizadores como Brian de Palma, Alex Gibney, Steven Soderbergh, Hal Hartley, Todd Solondz e Jim Jarmuch.

Joana Vicente explica que a produção que faz "é bastante criativa", porque o envolvimento num projecto começa quase sempre no desenvolvimento do guião, a partir de uma ideia ou de um livro.

"Eu gosto imenso de produção, mas a parte que me faltava era essa parte criativa. Sobretudo quando trabalho com realizadores que não têm muita experiência dá-me imenso prazer tentar dar-lhe todos os instrumentos possíveis para que consigam realizar da melhor maneira a visão deles", disse Joana Vicente.

A produtora concordou que o mercado norte-americano é muito competitivo e tudo se resume a uma questão de sobrevivência, onde os filmes são o bilhete de identidade para conquistar respeito e reputação.

"No nosso caso dizem que temos bom gosto nos filmes que escolhemos. Mesmo sendo completamente diferentes, não há um filme nosso que não seja muito original, com uma visão especial, que puxa um bocadinho os limites, seja esteticamente, socialmente, politicamente. Tem sido esse o nosso objectivo", disse.

Actualmente, o cinema norte-americano sofre as consequências da crise económica internacional, opina Joana Vicente: "Se bem que os filmes são à prova de recessão, investir em cinema tem imenso risco, portanto está tudo um bocadinho parado".

A esperança de Joana Vicente está depositada em Barack Obama e, se tivesse já a nacionalidade norte-americana, era nele que votaria para presidente dos Estados Unidos.

"Estou com imenso medo [que Obama perca], porque ainda há uma América muito racista e muito ignorante e os republicanos têm umas máquinas de boicotar... E é incrível estarmos onde estamos, que o Obama seja candidato e tenha o suporte que tem", considerou.

Se Barack Obama for eleito, Joana Vicente garante que pedirá a nacionalidade norte-americana. Só não o fez ainda porque "não queria ser americana com o Bush".

Aos 45 anos, Joana Vicente não sabe se regressará a Portugal, até porque os dois filhos são americanos e é lá que diz estar a sua casa.

"Nasci em Macau, vivi lá três anos, vivi em Moçambique, vivi na Madeira. Eu, no fundo, já vivi mais tempo em Nova Iorque do que vivi em Lisboa. Já sinto que é `home´", disse.

SS.


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