João Barros Oliveira mostra "esculturas sonoras" com instrumentos a partir do lixo

Porto, 19 Dez (Lusa) - O projecto "Processus Sonorus", do músico e escultor sonoro João Ricardo de Barros Oliveira, que constrói instrumentos musicais a partir do lixo, apresenta-se sábado, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães.

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Natural de Viana do Castelo, João Ricardo de Barros Oliveira, que gosta de se fazer chamar "Dr. Sound", faz do vulgar lixo a matéria-prima para a sua arte.

Trabalha a partir de objectos considerados imprestáveis, do desperdício e das inutilidades, com que constrói esculturas sonoras que usa nas suas actuações em palco.

O artista, radicado na Alemanha, está em Guimarães desde o último dia 10, tendo realizado duas oficinas, uma destinada ao público sénior (adultos maiores de 60 anos) e a outra dirigida a crianças dos 10 aos 12 anos.

Cada grupo realizou, separadamente, a respectiva oficina musical que culmina, sexta-feira, na criação de uma orquestra resultante da fusão dos dois grupos, a "Workestrasom".

No processo, os participantes foram envolvidos num discurso sonoro coerente, tendo sido criados diálogos e conversas onde as partes concordam, discordam, argumentam, apoiam, imitam, complementam e mudam de conversa sonora.

Posteriormente, os dois grupos foram progressivamente reunidos de forma que pudessem desenvolver cumplicidades sonoras, até se conseguir uma completa fusão das suas experiências e criações no concerto performativo da "Workestrasom".

É este concerto final do projecto, a "Workestrasom", que tem lugar sexta-feira, às 16:00, no Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor, com entrada livre.

Este projecto procura "explorar a dinâmica como objecto principal no som, trabalhando assim variações de velocidade, de intensidade e de timbre, motivando o público para o desenvolvimento da sensibilidade sonora, do sentido crítico, e para a mudança de atitudes e de valores sobre o espaço envolvente".

João Ricardo de Barros Oliveira está radicado em Berlim desde há quase 20 anos, onde desenvolve a sua actividade.

Da sua obra faz parte integrante a criação de objectos esculturais capazes de produzir sons com identidade própria, instrumentos musicais e objectos sonoros totalmente novos e sua apresentação em concertos, performances e intervenções públicas.

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