João Silva, Repórter luso-sul-africano, premiado
O repórter-fotográfico João Silva, que arr ebatou o 2º prémio na categoria Temas Contemporâneos da World Press Photo com um a imagem de uma prisão no Malawi, tem uma longa e distinta carreira na Imprensa internacional.
João Silva, 39 anos, viveu com os pais em Moçambique, de onde emigrou p ara a Africa do Sul em 1976, e desde a década de oitenta que se dedica a tempo i nteiro à reportagem fotográfica.
Em 1993, ao serviço do jornal "The Star", foi eleito Repórter Fotográfi co do Ano (relativo a 1992) da África do Sul, um galardão criado pela Ilford.
Nessa altura, João Silva já arriscava a vida nas "townships" sul-africa nas, onde a rivalidade entre o Congresso Nacional Africano e o Inkatha - fomenta da em grande medida pelo regime branco, então em queda livre - detonou uma guerr a civil de baixa intensidade, com um saldo de muitos milhares de mortos.
Desde então João Silva especializou-se em zonas de guerra e o seu nome ganhava a admiração dos meios jornalísticos como um dos melhores "fotógrafos de conflitos" da cena internacional.
Já durante o período de transição política da África do Sul, João Silva continuou a encher as páginas da Imprensa sul-africana com imagens chocantes do conflito entre as forças políticas negras no estertor do regime branco.
Trabalhou para a agência Associated Press e mais tarde foi contratado p elo "New York Times", ao serviço do qual venceu este prémio da World Press Photo .
Cobriu conflitos na maioria dos países africanos que foram palco de gue rras civis, bem como na Bósnia, Iraque e outros "pontos quentes" do mundo.
Contactado hoje pela agência Lusa, João Silva afirmou-se orgulhoso e su rpreendido pelo prémio.
"Já sabia que tinha um segundo prémio mas para ser franco nem sequer se i ainda em que categoria o meu jornal concorreu nem com que foto o fez", disse J oão Silva, que se encontrava no Lesoto em reportagem.
Sobre os galardões que já conquistou, o repórter considerou-as "coisas pequenas".
João Silva acabou de lançar o seu segundo livro, com o título "In the c ompoany of God", onde publica centenas de fotos da Jiade Islâmica em combate con tra a ocupação americana do Iraque.
O livro anterior descreve as viagens, experiências e dramas vividos em zonas de conflito e na vida, assim como os amigos vivos e mortos.
Dois dos seus melhores camaradas e amigos, ambos fotógrafos consagrados , perderam a vida nos últimos 15 anos: Ken Oesterbroek foi atingido por uma bala perdida na "township" de Tokoza, a leste de Joanesburgo, em 1994, e Kevin Carte r suicidou-se anos mais tarde, em consequência das pressões da profissão e de pr oblemas familiares e pessoais.
O World Press Photo foi criado em 1955 pela União de Fotojornalistas Ho landeses.