Jorge Colombo percorre Lisboa com o olhar de Álvaro de Campos
Lisboa, 14 Jan (Lusa) - O ilustrador e fotógrafo Jorge Colombo inaugura quinta-feira na Casa Fernando Pessoa a sua primeira exposição de fotografia em Portugal: chama-se "Lisboa Revisitada" e é composta por imagens da cidade sobre poemas do heterónimo Álvaro de Campos.
"Todos nós temos uma experiência qualquer relacionada com Pessoa: o primeiro momento em que lemos Pessoa, o nosso heterónimo favorito, os nossos poemas favoritos, a forma como nos identificamos com os poemas, as pessoas à nossa volta que são ainda mais entusiastas pelo Pessoa do que nós, todas as grandes obras de arte que foram feitas à volta do Pessoa... ele faz parte da nossa dieta", disse à Lusa Jorge Colombo, de 45 anos e há 20 residente nos Estados Unidos.
Nascida do desafio que lhe foi feito pela Casa Fernando Pessoa (CFP), a exposição segue a "Ode Triunfal" como guião inicial e deixa-se depois "contaminar" pelo espírito de "estrangeiro aqui, como em toda a parte" do Campos posterior.
"A `Ode Triunfal` é um poema extremamente entusiástico, glorificando a tecnologia, a indústria, o comércio, a vida urbana, a modernidade e já que Portugal - especialmente para quem chega de fora, como eu - é um país tão efervescente neste momento, pareceu-me adequado interpretar o Portugal corrente segundo a óptica do Álvaro de Campos", explicou.
Nas 52 fotografias que compõem a mostra, o autor tentou captar aspectos da capital portuguesa de que o poeta-engenheiro naval poderia gostar caso "andasse" pela Lisboa de início do século XXI.
Doze delas podem já ser vistas no site da Internet www.jorgecolombo.com/lisboarevisitada/press.
"São imagens digitais que eu recolori digitalmente, pintei por cima delas, para acentuar o seu carácter ficcional", referiu.
Na sua opinião, estas fotografias "são todas um exagero, Lisboa não é exactamente assim".
"Eu tentei, justamente, apanhar os bocados em que se vê que é Lisboa mas podia ser outra cidade qualquer, outra grande cidade internacional - podia ser Berlim, ou Singapura, ou Los Angeles - e ficava todo contente de cada vez que encontrava uma imagem ou uma cena que era universal", observou.
Sobre a forma como as fotografias estarão dispostas na Casa Fernando Pessoa, Jorge Colombo, também designer gráfico, indicou que primeiro fez o design do catálogo da mostra e depois viu "como é que podia reproduzir o catálogo na parede".
"Não nos esqueçamos de uma coisa: é que o catálogo é que fica, é que viaja até daqui a não sei quantos anos", sublinhou. ´
"O catálogo, no fundo, é o meu relicário Álvaro de Campos. Não só tem as imagens todas da exposição, mas também tem alguns dos meus poemas favoritos de Álvaro de Campos - são poucos, mas é uma escolha", comentou, precisando que dois são de "Lisbon Revisited" ("Murmúrio terrível" e "Passo de noite na rua suburbana") e o outro é a "Ode Triunfal".
Esta mostra é a primeira proposta da CFP no âmbito da iniciativa de transformar ao longo deste ano a casa do poeta, na rua Coelho da Rocha, em Lisboa, na casa de três heterónimos do escritor: Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis.
É com a exposição de fotografia de Jorge Colombo sobre o universo de Álvaro de Campos, cuja inauguração será quinta-feira, às 18:30, que se inicia a "ocupação" da casa pelo primeiro heterónimo, até Abril.
ANC.