Jornalista português Carlos Manuel Chaparro lança editora no Brasil
São Paulo, Brasil, 18 dez (Lusa) - O jornalista de origem portuguesa Carlos Manuel Chaparro, de 80 anos, com quase 60 dedicados à carreira e há cerca de meio século fixado no Brasil, estreou a sua própria editora com a obra "Jornalismo: Linguagem dos Conflitos".
A casa editora "tem a ver com minha personalidade", disse o autor à Lusa. "Sou sujeito que vai para frente, não tenho problemas com a idade, mas não volto atrás. Fiz 80 anos e esse é um novo projeto. Resolvi ser editor dos meus próprios livros e vendê-los", prosseguiu, realçando que há uma sensação de liberdade em não depender de editoras, nem ter de discutir direitos autorais.
O projeto Edições Chaparro, a que chama "da virada dos 80", envolve a publicação de onze livros em 2015, três com textos inéditos e os outros com a reunião de artigos feitos e publicados pelo jornalista, nos últimos anos.
"A sensação de exercer a vontade de pensar fica mais aguçada com a idade", disse o jornalista à Lusa. "O que a vida nos ensinou, devemos socializar, e essa [a editora] é uma maneira de socializar o que penso", acrescentou o jornalista e professor.
Carlos Chaparro é doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo e professor jubilado da Escola de Comunicações e Artes daquela instituição.
Iniciou a carreira em Portugal, onde voltou para fazer um pós-doutoramento, mas mantém-se no Brasil onde chegou em 1961, a convite do então bispo de Natal, para editar o jornal católico A Ordem, de acordo com o Portal dos Jornalistas do Brasil.
Na altura, tinha 26 anos. Em Portugal fora repórter do jornal Juventude Operária, órgão oficial da Juventude Operária Católica, da qual era líder. Trabalhara ainda no Diário Ilustrado, lançado no final dos anos de 1950, que ensaiou, durante alguns anos (fechou em 1963), o género tabloide, tendo contado com repórteres como Roby Amorim ou o futuro historiador José Manuel Tengarrinha (fundador do Movimento Democrático Português), que chegou a ser chefe de redação desse "primeiro jornal da tarde".
Em São Paulo, Carlos Chaparro também se dedicou à comunicação institucional. Aos 45 anos, depois de quase duas décadas na profissão, entrou no curso de Jornalismo e formou-se na Universidade de São Paulo, onde fez mestrado, se doutorou e iniciou uma carreira académica que manteve até se ter jubilado.
Foi um dos pioneiros do uso da Internet, no Brasil, com a revista Reescrita, no sítio da Universidade de São Paulo, e com a criação do `blog` "O Xis da Questão", que mantém, dedicado ao debate dos meios de comunicação, do jornalismo e das atualidades.
Ainda de acordo com o Portal dos Jornalistas brasileiros, Carlos Manuel Chaparro coordenou a reforma editorial do Jornal do Commercio, no Brasil, "gerou forte impacto social com a coluna Alta Prioridade, publicada no Diário de Pernambuco" e "inovou a sucursal da Folha de S.Paulo no Nordeste, com a edição de suplementos temáticos".
Na nova editora, dedicada aos seus projetos, Chaparro vai editar em breve uma obra que trata do que chama "Revolução das fontes", na qual enquadra "a capacitação dos entrevistados" na "agenda do jornalista".
"Jornalismo: Linguagem dos Conflitos" inaugurou as Edições Chaparro, no passado dia 13. A obra foi originalmente editada em Portugal, em 2001, na coleção Ciências da Comunicação, das Edições Minerva - Coimbra.