Julinho da Concertina e Zé Gomes "convidados especiais" de Tocar de Ouvido em Évora
Lisboa, 28 Abr (Lusa) - O cabo-verdiano Julinho da Concertina e o brasileiro Zé Gomes, tocador de rabeca, são os "convidados especiais" da edição deste ano de Tocar de Ouvido, que começa quinta-feira em Évora.
O Encontro de Tocadores - "Tocar de Ouvido" - irá decorrer de quinta-feira até domingo e, além dos concertos, estão agendados colóquios e oficinas de instrumentos, participando pela primeira vez músicos estrangeiros.
"Pretendemos crescer musicalmente, dentro e fora das fronteiras de uma identidade que sentimos como nossa", disse à agência Lusa fonte da organização.
"Este nosso encontro - explicou - é um espaço onde se redescobre um país: o país que já pouco existe, o país que é hoje e, sobretudo, o país musical que será criado amanhã. Sem saudosismos preconceituosos, apenas vontade de criar, mantendo o cunho identitário que faz da música portuguesa uma música diferente de todas as outras. Uma atitude cosmopolita que valoriza o que há de bom na música dos Tocadores".
Pela primeira vez também, realizar-se-á uma oficina de dança, orientada por Rita Duarte, que "visa recuperar a vivência dos géneros musicais e dos repertórios ensinados nas oficinas de instrumentos".
"A dança sempre esteve associada aos nossos encontros, sendo, porém, a primeira vez que é entendida como se um instrumento fosse", assinalou a fonte.
Outras oficinas serão da viola braguesa e cavaquinho, da gaita-de-foles, da concertina, da harmónica, de canto, rabeca e ainda de construção de instrumentos e improvisação musical.
O Encontro "gira em torno das Oficinas de instrumentos, onde se juntam novos e velhos tocadores, para aprenderem todos. Através destas oficinas, faz-se a retransmissão de técnicas, repertórios, segredos e histórias destes instrumentos".
Os antigos celeiros da EPAC, no centro de Évora, serão o cenário para todas as actividades, que incluem oficinas didácticas para crianças orientadas por Carlos Guerreiro e Bitocas.
Guerreiro é licenciado em Educação pela Arte pelo Conservatório de Lisboa, e desde 1974 tem participado em vários trabalhos de recolha de música tradicional portuguesa, além de ser construtor de instrumentos musicais tradicionais.
Bitocas é o nome pelo qual é mais conhecido Victor Fernandes, que desde cedo se interessou pelas questões pedagógicas, tendo desenvolvido ao longo dos anos uma metodologia própria para a experiência e estudo musical.
Já este ano, lançou as bases para o desenvolvimento de um centro criativo para a dinamização de actividades lúdicas, estudos e pedagogias alternativas.
Os encontros de tocadores realizam-se desde 2002 e procuram "pôr em contacto dois universos distantes: os tocadores que ainda hoje fazem música, a música das aldeias, a música dos pais e avós, com os tocadores mais novos, os tocadores das cidades, aqueles que já nasceram perto da Internet, dos telefones móveis, da MTV, do Walkman e do leitor de mp3, dos Conservatórios e das escolas de música - de universos musicais diferentes, e que querem saber mais sobre esses tocadores que os precederam, tocar as suas músicas, ouvir as suas histórias e aprender com eles".
NL.
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