Júlio Pomar vai ter Atelier-Museu em prédio municipal na cidade
O artista Júlio Pomar vai ter um atelier-museu, para criar e expor a sua obra, num prédio em Lisboa que a Câmara Municipal se compromete a restaurar, segundo um protocolo a assinar hoje com o artista.
O acordo, entre a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e Júlio Pomar, prevê a reabilitação de um edifício municipal, na rua do vale nº 7, onde será instalado um atelier que proporcione condições de trabalho adequadas ao artista, e que funcionará no futuro como Museu para exposição das suas obras.
Júlio Pomar tem um atelier em Paris, mas a CML tenta assegurar deste modo que o seu espólio permaneça na cidade de onde é natural, criando condições que lhe permitam criar e expor a sua obra, radicando- se definitivamente em Lisboa.
O edifício do município será reabilitado pela autarquia e funcionará em primeira instância apenas como atelier, de modo "a não interferir com o exercício regular da actividade artística" de Júlio Pomar, sendo os custos inerentes à manutenção e funcionamento do prédio da responsabilidade do artista.
Para suportar estes custos, Júlio Pomar tem desde 2005 uma fundação em nome próprio, à qual doou várias obras da sua autoria, e que funciona com fins próprios que são exclusivamente relacionados com a obra e figura do artista.
Após o uso do Atelier por Júlio Pomar, a CML tomará posse do edifício, ficando encarregue de assegurar o depósito, conservação e apresentação do espólio que o artista irá atribuir através da sua fundação.
O museu ficará responsável por expor permanentemente os trabalhos de pintura de Júlio Pomar, assim como organizar exposições temporárias com outros trabalhos, como óleos, desenhos ou gravuras, e possivelmente edições e documentação do trabalho e figura do artista.
O atelier-museu servirá para expor o trabalho de Júlio Pomar, não só com base nos trabalhos doados pelo artista à sua própria fundação, mas também com empréstimos de trabalhos da sua autoria que pertençam a outras entidades e a colecções privadas.
O município justifica este acordo com a "notável figura humanista e personalidade artística de indiscutível valor" de Júlio Pomar e também com o facto de as condições de trabalho do artista em Lisboa não serem as melhores.
Além disso, a autarquia sublinha a sua "politica cultural de apoio aos artistas da cidade", assim como o interesse de prosseguir "a sua política museológica própria" e de "aumentar o acervo artístico à disposição dos cidadãos, residentes e visitantes, no quadro de uma promoção global da cidade no contexto nacional e internacional".