Júri "acertou em cheio" ao escolher João Ubaldo - diz escritor brasileiro Moacyr Scliar
Brasília, 26 Jul (Lusa) - O escritor e médico Moacyr Scliar, um dos imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), disse que o júri do Prémio Camões "acertou em cheio" ao conceder o galardão a João Ubaldo Ribeiro.
"Já fui membro do júri e pude avaliar de perto a importância deste prémio, que é o Nobel da lingua portuguesa. Ao escolher João Ubaldo como vencedor, a comissão acertou em cheio", afirmou à Lusa.
Na avaliação de Scliar, João Ubaldo Ribeiro é um autor "autenticamente brasileiro" e de uma "coerência a toda a prova".
"É um grande talento literário, um ser humano cuja autenticidade é admirável", acrescentou.
Scliar destacou dois livros na grande obra de Ubaldo: "Sargento Getúlio" (1971) e "Viva o Povo Brasileiro" (1984).
O primeiro é uma narrativa centrada no monólogo de um sargento da Polícia Militar, um assassino profissional encarregado por um importante chefe político de Aracaju de prender um adversário político no interior do Estado do Sergipe.
"Viva o Povo Brasileiro" é uma narrativa que percorre quatro séculos da história brasileira, da chegada dos holandeses à Bahia, no século XVII, até os anos 70 do século XX, representados ficcionalmente.
Questionado sobre a irreverência de João Ubaldo Ribeiro, manifestada por exemplo em "A Casa dos Budas Ditosos", Scliar disse que ela é bem "peculiar do brasileiro".
"Sob outra óptica, essa irreverência encontra-se também em Machado de Assis e Lima Barreto", assinalou.
João Ubaldo Ribeiro é o oitavo escritor brasileiro a ser distinguido com o Prémio Camões, que na sua edição anterior foi para o português António Lobo Antunes.
Instituído pelos governos português e brasileiro em 1988, o Prémio distingue, anualmente, um autor que, pelo conjunto da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa.
Já foram distinguidos nove autores portugueses, oito brasileiros, um moçambicano e dois angolanos. Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau não viram ainda qualquer dos seus escritores premiado.
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