Le Clèzio é um grande escritor mas havia outros - Liberto Cruz
Lisboa, 09 Out (Lusa) - Liberto Cruz, tradutor de "A Febre" de Jean-Marie Le Clézio, distinguido hoje com o Prémio Nobel da Literatura, afirmou à Lusa que "sendo um grande escritor, havia outros maiores que a Academia Sueca poderia ter distinguido".
"É certamente um grande escritor mas há excelentes escritores norte-americanos que não receberam ainda o Prémio, além de excelentes chineses que nem conheces mas de que há traduções em francês, que também poderiam ter sido tidos em conta", disse o também poeta e crítico literário.
"Le Clèzio é um homem que tem viajado muito e reflecte isso mesmo na sua escrita, um homem preocupado com os outro e com uma visão do mundo muito humanista".
Entre os factores que levaram à escolha pela Academia, do escritor francês, Liberto Cruz considerando que são "insondáveis", afirmou à Lusa que "terá pesado o facto de a França não ver distinguido há muito um escritor seu".
O último escritor nascido em França que recebeu o Nobel foi Claude Simon, em 1985. Em 2000 foi distinguido Gao Xingjian, escritor chinês naturalizado francês.
Liberto Cruz, além da obra que traduziu, de Le Clézio referiu as obras "Voyages à Rodrigues" e "Onitsha".