Legendary Tiger-Man encena "Masquerade"

O "homem-tigre" dos blues que serve de nome artístico ao músico Paulo Furtado regressou com um novo disco, "Masquerade", em que o Legendary Tiger Man abandona a novidade de ser uma banda de um homem só.

Agência LUSA /
Regresso DR

Depois de Lisboa e Vila do Conde, Paulo Furtado apresenta hoje "Masquerade" em Vigo, numa digressão com 25 datas marcadas até Agosto, que passa pelo Porto no dia 13 de Abril, e por Coimbra, terra natal de Furtado, a 25 de Maio.

Acompanhado por um DVD com um documentário, curtas-metragens destinadas a acompanhar várias canções e um estudo fotográfico chamado "10% Formol", "Masquerade" é, para Paulo Furtado, um disco "mais fluido e eficaz", terceiro da carreira como Legendary Tiger Man.

Em entrevista à Agência Lusa, o músico que também integra os Wraygunn a firmou que, ultrapassadas as preocupações "com a parte técnica e a execução" dos discos anteriores, pôde concentrar-se "nas canções, de uma forma mais liberta e mais musical".

"Torna-se mais fácil passar as preocupações para a canção", afirmou, o que resultou num disco "directo e simples", com Furtado na guitarra, percussão e voz, formato "one man band" que distinguiu pela novidade o projecto no início.

"Masquerade", editado pela Valentim de Carvalho, apresenta os blues pelos dedos e voz de um músico português que começou no rock e que descobriu ao vivo a América, através dos já extintos Tédio Boys.

Embora o continente americano, a sua música e vivência "na estrada" marquem o tom da sua música, por enquanto Paulo Furtado tem-se satisfeito com o facto de gravar em Portugal, por ter encontrado "pessoas competentes", nomeadamente Mário Barreiros, produtor de "Masquerade".

No entanto, não põe de parte vir a produzir nos Estados Unidos, voltando a "beber novas influências" depois de alguns anos de ausência, em que considera ter desenvolvido uma personalidade própria.

Paulo Furtado conta também com a participação de Nell Assassin no tema "Say Hey Hey" e dos Dead Combo em "Let Me Give It To You", dois dos seus preferidos, que "engrandeceram" com as suas participações o "processo solitário" que levou à criação da música em "Masquerade".

Além dos originais, Paulo Furtado revisita "Route 66", de Bobby Troup, e "Blue Moon Baby", de Dave Diddley Day, duas versões que remetem justamente para o imaginário norte-americano e para a raiz dos blues.

O ambiente do disco, da capa e das fotografias que o acompanham, da autoria de Pedro Medeiros, remetem para o realizador expressionista alemão Fritz Lang, e os filmes "Psycho", de Hitchcock, ou "Freaks", de Todd Browning.

The Legendary Tiger Man surge como um taxidermista ou uma espécie de Dr. Frankenstein, apostado em criar uma mulher, "objecto de desejo", que no entanto surge sem vida, inexpressiva, explicou o músico.

A noção de "objecto de desejo", que para Furtado surge actualmente com uma conotação negativa, "politicamente incorrecta", mas que o músico entende com o "uma felicidade, uma parte importante da vida", que no trabalho artístico que rodeia o álbum é assumidamente levada "ao extremo".

Complemento da música, "Masquerade" inclui um DVD com várias "curtas-metragens" idealizadas por Edgar Pêra, André Cepeda e um documentário sobre a gravação do álbum realizado por Rodrigo Areias.

Ao vivo, a parte visual associada ao disco vai estar presente, com as curtas-metragens incluídas na edição - e algumas inéditas - a serem projectadas por trás de Legendary Tiger Man, complementando a imagem de palco.

Para Paulo Furtado, é uma forma de "continuar a ter prazer" nos concertos, desde já por "ter que acertar [a música] com os filmes".

Os concertos de promoção vão também ter um tom diferente, porque devido à natureza do espectáculo, passam maioritariamente em auditórios, quando antes Paulo Furtado se apresentava em sítios onde "fumar, beber e dançar" era mais fácil.

No entanto, o músico não receia a mudança de ambientes, notando que apresentará agora "um espectáculo mais completo", onde o "pudor de se levantar e dançar" poderá levar a audiência para uma "perspectiva diferente, menos envolvida fisicamente mas mais embrenhada intelectualmente".

"10% Formol", a exposição de 18 fotografias que acompanha a edição de " Masquerade", está no auditório municipal de Vila do Conde, seguindo depois em itinerância até ao fim do ano.

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