Leiloeira "disponível" para colaborar com autoridades sobre obras alegadamente falsas
A Leiloeira S. Domingos, Porto, está "completamente disponível" para colaborar com as autoridades no âmbito do caso da apreensão de obras de arte alegadamente falsas que iam a leilão a partir de hoje, adiantou fonte do estabelecimento.
O Diário de Notícias escreve na sua edição de hoje que a Polícia Judiciária (PJ) do Porto apreendeu "cerca de uma dezena de obras de arte alegadamente falsas" nesta leiloeira do Campo Alegre.
De acordo com o matutino, um dos quadros apreendidos é de Júlio Pomar, cujo filho atesta ser "uma falsificação".
O responsável da Leiloeira S. Domingos, António Taveira, afirmou à Lusa que o seu estabelecimento comercial "está do lado das autoridades" e congratula-se com a investigação.
António Taveira confirmou que a PJ apreendeu "quadros sobre cuja autenticidade alguém levantou dúvidas", escusando-se, contudo, a revelar quantas obras foram levadas pelas autoridades.
O DN acrescenta que a denúncia partiu do filho de Júlio Pomar, Alexandre Pomar, que levantou sérias dúvidas sobre a autenticidade de um quadro do seu pai - Padeiro - e de outros trabalhos, designadamente de António Carneiro, Mário Cesariny, Espiga Pinto, Mário Botas, Manuel Cargaleiro e "talvez" Júlio Resende.
As obras que a S. Domingos leva à praça pertencem a "particulares e entidades", sendo que a leiloeira costuma fazer "uma verificação" das mesmas.
"O que acontece é que muitas vezes as obras chegam em cima do leilão e alguém pode falhar", acrescentou o responsável, adiantando que obras de pintores referenciados no DN "não foram objecto de apreensão".
"O proprietário da obra é o responsável pela mesma, pela sua colocação, com quem a leiloeira faz um contrato de concessão", explicou.
António Taveira referiu que a S. Domingos "faz uma venda transparente, apresenta um catálogo das obras que vão a leilão e não tem nada a esconder", disponibilizando toda essa informação no seu site.
Taveira lamentou, contudo, a forma como decorreu este processo, afirmando que a leiloeira "não foi contactada por ninguém".
O responsável adiantou ainda que "acontece com frequência a leiloeira recusar quadros por suspeitas de não serem verdadeiros".
A Lusa tentou obter esclarecimentos junto da PJ, mas até ao momento ainda não obteve qualquer resposta.