Leiloeira fracassa em vender pinturas da autoria de Hitler

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Antes de ser o ditador nazi, Hitler foi um pintor falhado. Como Nero, ressentiu-se durante toda a vida pela incompreensão sofrida nessa fase. Cinco quadros alegadamente da sua autoria foram agora leiloados - e ninguém os quis.

Os quadros foram, segundo o diário The Guardian, postos à venda em Nuremberga com preços de licitação variados, o mais baixo equivalente em libras a 19 mil euros, o mais alto equivalente a 45 mil euros. Ninguém ofereceu os mínimos reclamados pela leiloeira Weidler.

A leiloeira não quis comentar os motivos do fracasso, mas à partida já se sabia que os quadros nunca seriam comprados pela sua qualidade estética. Como não a tinham de todo, parecia possível que fossem da autoria de Hitler. Mas há mais quem pinte ou tenha pintado mal.

O presidente da Cãmara de Nuremberga, Ulrich Maly, classificou o leilão, com o seu saudosismo nazi, como prova de "mau gosto". De mau gosto era pelo menos, em todo o caso, comprovadamente o estilo do pintor, fosse ele quem fosse.

A leiloeira, indiferente a considerações artísticas ou estéticas, esperava de qualquer modo fazer um bom negócio atraindo uma clientela de gosto duvidoso mas de convicções nazis inabaláveis, que adquirisse os quadros para os instalar em locais de peregrinação e de culto.

Mas as dúvidas sobre a autoria das obras devem ter refreado também o entusiasmo coleecionadores hostis à boa pintura e focados na política revanchista que hoje volta a ter alguma voga na Alemanha.

Nos dias imediatamente anteriores ao leilão, várias outras obras tinham sido retiradas de venda por se ter descoberto que eram falsificações. O Ministério Público alemão abriu uma investigação a esse respeito.

O facto é que, especulando com a credulidade dos coleccionadores nazis, têm proliferado nos últimos anos centenas ou milhares de obras com a assinatura "A. H.", ou "Adolph Hitler" - na maioria ou na totalidade falsas.

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