"Les Fin`Amoureuses" no Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo
Um concerto do "ensemble" francês Les Fin`Amoureuses, que une música popular e erudita francesa à tradição otomana, é um dos destaques do terceiro Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo "Terras sem Sombra", que começa quarta-feira.
Promovido pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (DPHADB), o festival itinerante prolonga-se até Março do próximo ano com seis espectáculos de música erudita em igrejas do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral.
O director do DPHADB, José António Falcão, explicou hoje à agência Lusa que se trata de um projecto "inovador" com o qual a Diocese de Beja pretende "animar e valorizar as suas igrejas históricas, que, até há pouco tempo, estavam fechadas ou com sérios problemas de degradação".
"Através da música, pretendemos captar novos públicos para a redescoberta destas igrejas, que foram recuperadas e actualmente estão abertas ao público e funcionam como museus ou possuem tesouros visitáveis", acrescentou.
Com o título "As Formas do Som: Vozes e Instrumentos", o festival arranca quarta-feira, às 19:00, no Palácio Fronteira, em Lisboa, com uma conferência sobre "O Canto e os Instrumentos: Cumplicidades e Contradições na Música Antiga", pelo musicólogo Rui Vieira Nery.
Os espectáculos, todos na área das tradições mais profundas da música litúrgica e devocional, começam dia 25, às 21:30, na Basílica Real de Castro Verde, com a actuação do Coro Gulbenkian.
No concerto de abertura, sob a batuta do maestro Jorge Matta, o coro da Fundação Gulbenkian, que esta temporada comemora o 50.º aniversário, vai interpretar Motetos de Pero de Gamboa e Vilancicos "negros" do manuscrito 50 de Santa Cruz de Coimbra (século XVIII).
Segue-se, dia 02 de Dezembro, o "ponto alto" do festival, um concerto dos Les Fin`Amoureuses, um "ensemble" constituído por três músicos da cidade francesa de Avinhão, que vai apresentar, na Igreja Matriz de Sines, às 21:30, o recente álbum "Marions les Roses".
Com o subtítulo "O Encontro Oriente-Ocidente na Bacia do Mediterrâneo", o disco, editado em Abril deste ano, salientou José António falcão, faz "uma viagem encantatória que une a música de raiz popular e erudita francesa à da tradição otomana".
A programação do "Terras sem Sombra" integra ainda um conjunto de três recitais instrumentais de câmara especialmente concebidos para o festival.
"Trata-se de três programas que procuram fazer renascer algum do repertório menos ouvido da música instrumental portuguesa e europeia", explicou António Falcão.
O cravo e o clavicórdio vão soar dia 20 de Janeiro, às 21:30, na Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, em Beja, no espectáculo "Imagens da Música de Tecla Ibérica do Maneirismo ao Pós-Barroco", a cargo de João Paulo Janeiro.
Segue-se, dia 3 de Fevereiro, às 16:00, na Igreja Matriz de Santa Cruz (Almodôvar), "A Imagem da Melancolia", um "consort" de flautas.
O alaúde barroco e as flautas de bisel vão fazer- se ouvir na Igreja Matriz de Alvito, a 03 de Março, às 21:30, num recital de Miguel Serdoura, que interpretará canções sacras e seculares dos séculos XVII e XVIII dos autores Esaias Reusner e Adamo Falckenhagen.
O "Terras sem Sombra" termina a 24 de Março, às 21:30, na Igreja Matriz de Santiago do Cacém, com o concerto "As Vozes e as Lágrimas Humanas", a cargo do Sete Lágrimas Consort, que interpretará música sacra do século XVII ao XVIII, desde as "Sonatas da Chiesa" (Sonatas de Igreja) de Corelli às "Leçons de Ténèbres" de Couperin.
Apostado em salvaguardar as igrejas históricas e o património litúrgico e eclesiástico, o DPHADB tem vindo a criar, desde 2002, a Rede Diocesana de Museus, que integra sete pólos distribuídos pelo distrito de Beja e Litoral Alentejano.
O tesouro da Igreja de Nossa Senhora das Salas (Sines), o Tesouro da Colegiada de Santiago do Cacém, o Tesouro da Igreja de São Vicente (Cuba), o Tesouro da Basílica Real (Castro Verde), o Museu de Arte Sacra na antiga igreja-colegiada de São Pedro (Moura) e o Museu do Seminário de Beja são os núcleos já abertos.
O Museu Diocesano da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres (Beja), o último núcleo da primeira fase da rede, vai ser inaugurado no próximo dia 20, numa cerimónia que deverá contar com a presença da ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima.