Língua mirandesa marca Dia Internacinal de Monumentos e Sítios em Miranda do Douro
Miranda do Douro, 17 abr (Lusa) - A língua mirandesa foi escolhida pela Câmara de Miranda do Douro como tema central das comemorações do Dia Internacional de Monumentos e Sítios, numa iniciativa que este ano está subordinada ao tema "Património - mais Educação igual a Identidade".
Estão programadas diversas ações de índole cultural e social para sexta-feira centradas na temática " Lá Lhéngua de um Povo" ("A Língua de um Povo") e que são destinadas à população em geral.
"No caso do concelho de Miranda do Douro, a identidade do povo é a língua. Assim, ao longo dos próximos dias estamos a levar a efeito um conjunto de visitas a todas aldeias do concelho, destinadas a alunos do pré-escolar e primeiro ciclo, de forma a tenham um contacto direto com o património local e com a cultura mirandesa", disse hoje à lusa a vereadora do município de Miranda do Douro, Anabela Torrão.
Neste conjunto de ações haverá lugar para palestras proferidas por especialistas em língua mirandesa, musica e teatro tradicional mirandês.
Apesar de ser considerado um idioma ameaçado, o mirandês continua marcar a identidade do povo raiano da região mais oriental de Portugal.
Assim, este ano letivo há 450 alunos matriculados na disciplina de língua e cultura mirandesa, sendo que este número representa mais de metade da população estudantil do Agrupamento de Escolas de Miranda do Douro.
Em relação ao anterior ano letivo, verifica-se "um aumento de mais de duas dezenas de alunos".
Este interesse crescente pela disciplina reflete-se em diversos trabalhos elaborados no âmbito das atividades extracurriculares, como é caso de uma revista e de um jornal escritos em língua mirandesa pelos alunos.
O ensino em mirandês é opcional desde 1986/1987 nas escolas do ensino básico do concelho de Miranda do Douro, na sequência de uma autorização ministerial de 09 de setembro de 1985.
Em 2008 foi estabelecida uma convenção ortográfica, patrocinada pela Câmara de Miranda do Douro e levada a cabo por um grupo de linguistas, com vista estabelecer regras claras para escrever, ler e ensinar o mirandês, bem para como estabelecer uma escrita o mais unitária possível e consagrar o mirandês como a segunda língua oficial em Portugal.