Literatura ajuda a salvar o mundo - Rosa Montero

Lisboa, 12 Nov (Lusa) - Histórias de sobrevivência, numa espécie de "fábula da modernidade", é o que a escritora espanhola Rosa Montero conta no seu novo romance, "Instruções para Salvar o Mundo", que a Porto Editora acaba de publicar em Portugal.

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"Para mim, `Instruções para Salvar o Mundo` é um título que já explica claramente o que vai ser o romance, porque é um título humorístico, irónico: salvar o mundo é um conceito muito grande e as instruções são algo de muito pequeno, mais apropriado para uma máquina de lavar roupa ou um microondas. Então, já o título indica que o romance vai tratar de coisas grandes, graves e profundas mas que vai fazê-lo partindo de coisas pequenas e com um certo humor", disse Rosa Montero, em entrevista à Lusa.

"De facto - explicou - o romance tenta ser uma espécie de fábula da modernidade, um retrato do mundo contemporâneo, e desta crise, esta confusão, esta angústia e esta sensação de apocalipse em que vivemos".

Segundo a autora, apesar dessa sensação, "o romance diz `olha, fica tranquilo, tudo isto está a acontecer, mas respira, o mundo é um lugar habitável, a vida é passível de ser vivida, e apesar de parecer, a realidade não é tão angustiante assim e o mundo pode ser um lugar maravilhoso para se viver`".

Para a autora, a literatura ajuda a salvar o mundo, porque "os romances são os sonhos da Humanidade e se não houvesse romances, a Humanidade seria muito mais louca do que já é".

Além disso - defendeu - "os romances permitem-nos uma relação com o inconsciente, que se aflore os fantasmas do inconsciente colectivo que fazem com que nos reconheçamos, sejamos muito mais sábios, saibamos mais sobre nós mesmos e sejamos mais sãos, também".

Como exemplo da sua tese, apontou o romance "Dr. Jekyll e Mr. Hyde", de Robert Louis Stevenson: "Por que é que é tão famoso? Quase 150 anos depois da sua publicação, apesar de hoje ninguém o ter lido, toda a gente conhece o tema e a história".

"E porquê?", interrogou-se. "Porque pôs em palavras algo que todos os humanos sabiam, mas que não podíamos saber conscientemente, porque não tínhamos palavras para nomeá-lo, e que é uma verdade básica, que dentro de nós mesmos há muitas pessoas".

"Eu penso que o romance, a narrativa, a ficção é fundamental para o ser humano - sustentou - e sempre o foi, em diversas formas".

ANC.


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