Livreiro de Hong Kong detido na China morre em Taipé

Livreiro de Hong Kong detido na China morre em Taipé

O livreiro de Hong Kong Lam Wing-kee, que afirmou ter sido raptado e detido por agentes chineses em 2015 por vender livros proibidos por Pequim, morreu esta quinta-feira à noite em Taipé aos 70 anos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Tyrone Siu - Reuters

De acordo com uma fonte não identificada citada pela agência de notícias CNA, Lam morreu às 19:01 (12:01 em Lisboa) desta quinta-feira no Hospital Mackay, em Taipé, devido à deterioração do estado de saúde, na sequência de uma recidiva do cancro de que sofria desde o ano passado.

A mesma fonte acrescentou que o livreiro não tinha família em Taiwan e que, nos últimos dias, vários amigos de Hong Kong residentes na ilha se deslocaram ao hospital para o visitar.

Numa mensagem publicada na rede social Facebook, o Presidente taiwanês, William Lai Ching-te, expressou "profundo pesar" pela morte de Lam, cuja vida, afirmou, foi "um testemunho do valor da liberdade de expressão".

"A partida de Lam entristece-nos, mas a coragem que deixa não desaparecerá. Taiwan recordará que houve um livreiro de Hong Kong que, da forma mais simples e, ao mesmo tempo, mais firme, nos mostrou o quão preciosa é a liberdade e nos lembrou que a democracia necessita do esforço de geração após geração para a proteger", afirmou Lai.

Lam, ex-gerente da Causeway Bay Books, uma livraria especializada em obras críticas em relação aos líderes chineses, foi um dos cinco livreiros de Hong Kong que desapareceram misteriosamente no final de 2025 e reapareceram meses depois sob custódia chinesa, detidos por alegadamente venderem "livros proibidos" no continente.

Quando foi libertado em junho de 2026, Lam declarou que tinha sido raptado e vendado na fronteira e que, posteriormente, foi mantido em regime de isolamento, interrogado repetidamente, obrigado a fazer confissões televisionadas e privado de contacto com a família e com um advogado.

O livreiro optou por fugir para Taiwan em 2019, depois de o Governo de Hong Kong ter proposto um projeto de lei de extradição, que acabou por retirar.

Lam decidiu não regressar à antiga colónia britânica após a imposição da Lei de Segurança Nacional em 2020 e reabriu, nesse mesmo ano, a Causeway Bay Books na capital de Taiwan.

Tópicos
PUB