Livro sobre restauro da Charola do Convento de Cristo apresentado quarta-feira em Tomar

Tomar, Santarém, 21 abr (Lusa) -- O trabalho de restauro da Charola do Convento de Cristo, em Tomar, concluído em 2013 após seis anos de intervenção e mais de 25 anos de estudo e conservação, é contado num livro que será lançado na quarta-feira, naquele monumento.

Lusa /

"A Charola do Convento de Cristo. História e Restauro", edição da Direção-Geral do Património Cultural, "regista e pretende divulgar mais de 25 anos de estudo, conservação e restauro de um dos mais originais e emblemáticos monumentos da arquitetura templária e da Arte europeia", afirma uma nota da direção do Convento de Cristo.

O livro será apresentado por José Seabra Carvalho, historiador de Arte e diretor-adjunto do Museu Nacional de Arte Antiga.

A obra assinala o trabalho das várias equipas multidisciplinares e o apoio mecenático da Cimpor "à extensa e exigente intervenção", que decorreu entre 2007 e 2013, afirma a nota.

Esta intervenção abrangeu uma área de cerca de 2.000 metros quadrados de "ornamentação do período manuelino", do início do século XVI, tendo-se as equipas multidisciplinares que aí intervieram debatido "com a multiplicidade de suportes e técnicas artísticas, sem paralelo em território português e que converteram este local num paradigma da Arte Portuguesa (pintura sobre pedra, escultura em madeira policromada, talha dourada, guadamecil, estuques pintados e pintura de cavalete de grandes dimensões)", refere a nota.

"O trabalho meticuloso do restauro da Charola institui-se como compêndio e é uma importante contribuição não só para a História da Arte, mas também para a História da Conservação e Restauro, à escala nacional e internacional", sublinha.

A Charola do Convento de Cristo "é um dos mais originais e emblemáticos monumentos da arquitetura templária", apresentando uma estrutura octogonal, com um interior circular que define um amplo deambulatório, correspondendo a uma "tipologia associada às ordens militares e muito em especial à milícia da Ordem do Templo".

"Ter-se-á pretendido reproduzir a `imagem` do Santo Sepulcro de Jerusalém, da Mesquita de Omar, tratando-se ambos de edifícios de planta circular", refere.

Com oito faces no tambor central e 16 paredes exteriores, a Charola do Convento de Cristo foi construída em dois momentos, o primeiro, do último quarto do século XII até cerca de 1190, e o segundo, correspondendo à finalização do templo, por volta de 1250.

A estrutura veio a sofrer algumas alterações, a primeira das quais quando o infante D. Henrique era governador da ordem de Cristo, com a abertura de dois tramos, alinhados para poente, para instalação de um pequeno corpo, que servisse de coro e de tribuna.

"A grande campanha de obras empreendida por D. Manuel (1495-1521) no Convento de Cristo a partir de 1510 vai alterar a fisionomia da Charola", levando ao rasgamento de dois dos seus 16 tramos para a construção de um "arco triunfal" com a abertura de um coro novo para ocidente, sendo fechada a antiga entrada, virada para nascente.

No final dos anos 80 do século XX, perante a degradação de grande parte do património do interior da Charola, foi decidido proceder a um "restauro integral", tendo nos anos 90 sido posta a descoberto e tratada a pintura da abóbada, descoberta nos trabalhos iniciais.

"O tratamento integral de mais de 2.000 metros quadrados de superfícies decoradas e demais património integrado implicava, pela extensão, densidade de obras e estado de conservação, uma longa duração de trabalhos, pelo que foi decidido proceder faseadamente à intervenção do interior da charola", tendo os trabalhos sistemáticos sido iniciados em 2001.

"Até 2006, o restauro realizou-se tramo a tramo. A partir de 2007 e graças ao contributo da Cimpor, foi possível agilizar os trabalhos, tendo-se procedido, com este patrocínio exclusivo, à conclusão do restauro do deambulatório exterior, ao restauro integral do arco triunfal".

Na última "grande fase", lançada em 2011, "foram tratadas as superfícies arquitetónicas do tambor central e seu património integrado e ainda retomadas ou revistas diversas áreas ou espécies artísticas da Charola que, por diversas razões, não foram antes intervencionadas, concluídas ou entretanto sofreram alguma degradação".

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