EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Loja Sant’Anna chega aos 100 anos sem sair do Chiado

Loja Sant’Anna chega aos 100 anos sem sair do Chiado

Depois de ter sido emitida em junho deste ano uma ordem de despejo, a loja Sant'Anna continua no mesmo espaço na rua do Alecrim, no Chiado, e de portas abertas. Com os cem anos de existência a chegar em janeiro, o diretor comercial da empresa garante que vão ser comemorados ali. Cem anos de uma loja que vende produtos feitos da mesma forma há quase 300 anos. A RTP foi conhecer o processo de produção da fábrica.

João Ferreira Pelarigo, Nuno Patrício - RTP /
Cem anos de uma loja que vende produtos feitos da mesma forma há quase 300 anos. Nuno Patrício - RTP

O grupo Visabeira, dono do imóvel onde se encontra o estabelecimento, obteve uma licença camarária para ali construir um hotel e emitiu uma ordem de despejo a todos os seus inquilinos. A saída dos espaços estava inicialmente prevista para outubro.

A loja da Sant’Anna na Rua do Alecrim, em Lisboa, corre o risco de fechar as portas numa altura em que está prestes a completar cem anos de existência. A loja integra uma empresa considerada a "última fábrica de azulejos 100 por cento artesanais" da Europa. Mas o grupo Visabeira, dono do imóvel onde se encontra o estabelecimento, tem licença camarária para ali construir um hotel e emitiu uma ordem de despejo a todos os seus inquilinos.


 A saída acabou por não acontecer na altura porque, de acordo com o diretor comercial da Sant'Anna, Francisco Tomás, os proprietários da loja recusaram o despejo e apresentaram uma contestação. Estão ainda a aguardar os resultados desse processo.

"Não queremos encerrar, mas, se um dia encerrarmos, vamos encerrar já com os 100 anos celebrados, que é uma data histórica", afirmou Francisco, garantindo assim que a loja estará aberta na entrada do novo ano, uma vez que o centenário é celebrado em janeiro.

Para além da satisfação de comemorar um século de portas abertas no mesmo espaço, Francisco vai mais longe e assume que "cada vez mais, à medida que o tempo vai passando, se vai tornando mais complicado o encerramento da loja".

Segundo o próprio, há vários movimentos de apoio à permanência do estabelecimento naquele espaço. Movimentos esses que, afirma, têm feito pressão junto da Câmara Municipal de Lisboa.

"Estamos convictos que a Câmara terá bom senso e que arranjará forma de voltar atrás na decisão", sublinhou o director comercial da Sant'Anna.

Acrescentou que, a concretizar-se a construção do hotel naquele espaço, há a possiblidade de a loja se manter na mesma localização.
Processo fiel às origens
Esta loja, uma das mais antigas de Lisboa, é também característica por vender produtos fabricados com métodos de produção fiéis às origens.

Com quase 300 anos de produção, a fábrica de cerâmica portuguesa, situada na Calçada da Boa-Hora em Lisboa, continua a fabricar os produtos de forma artesanal desde a preparação do barro até à vidração e pintura, usando os mesmos processos desde 1741.



A RTP foi até à fábrica da Sant'Anna para conhecer os processos e métodos de fabrico dos produtos à venda na loja da rua do Alecrim.

O processo de fabrico das peças em cerâmica começa na olaria. A primeira tarefa é moldar os objetos em argila, até se obter a forma desejada. No caso dos azulejos, com as mãos, mete-se o barro nos moldes até eles adquirirem o aspeto final. Também o carimbo que certifica as peças é posto manualmente.



Após a preparação e respetiva secagem, os objetos são levados para a segunda fase do processo: os fornos. São cozidos durante 48 horas e, após esta fase, é feita a verificação das peças.

Numa terceira fase, depois da primeira cozedura, os azulejos e outros objetos são submetidos à vidração. São mergulhados num tanque de vidro e, depois, prontos a serem pintados.



Numa quarta fase, é feita a pintura, também ela manualmente. Tanto os azulejos de dimensões tradicionais como os painéis e restantes peças são pintados à mão, um a um, de acordo com os métodos artesanais.

Após a ilustração das peças, é feita uma segunda ronda nos fornos, de onde saem os produtos finais, prontos para serem comercializados.




Tópicos
PUB