Louvre encomenda obra a artista contemporâneo pela primeira vez em mais de 50 anos
Pela primeira vez em mais de 50 anos, o Louvre convidou um artista contemporâneo para o decorar: uma pintura monumental do alemão Anselm Kiefer foi revelada hoje na presença do artista numa escadaria do museu, em Paris.
O Louvre não dava "carta branca" a um artista contemporâneo para decorar o seu espaço desde 1953, data em que Georges Braque pintou um tecto na sala Henri II.
O Palácio do Louvre renova-se, fazendo-o por meio de "uma tradição" de encomenda de decorações a artistas da época, explicou Henry Loyrette, o presidente do museu.
Anselm Kiefer junta-se, desta forma, a Poussin, Delacroix, Ingres e Braque.
Com 14 metros de altura e quatro de largura, a obra, baptizada "Atanor", numa referência ao forno que permite fabricar a pedra filosofal, encontra-se numa das escadarias do departamento das Antiguidades Egípcias.
Na imensa tela, um homem nu está estendido no chão. Um longo traço liga-o ao céu, sombrio mas salpicado de estrelas. Pinceladas de chumbo, uma linha de prata e uma linha de ouro remetem para a alquimia, a metamorfose.
"O homem sou eu. Sou mais velho que os sumérios e os egípcios", declarou Anselm Kiefer, citado pela France-Presse.
"O homem está ligado ao universo. Ele está em vias de se metamorfosear. Vai renascer. Mas é uma obra triste, porque ele não sabe por que é que renasce", acrescentou o artista.
Duas esculturas de Kiefer, "Danaé" e "Hortus Conclusus", instaladas em nichos, completam a decoração.
Nascido na Alemanha em 1945, Anselm Kiefer reside em França desde 1993 e trabalha em Barjac, no Gard.
"Fazer entrar uma obra contemporânea no Louvre é um acto forte", comentou o ex-ministro da Cultura socialista Jack Lang, presente na inauguração.
O Louvre não tenciona ficar por aqui: uma outra encomenda foi feita ao artista norte-americano Cy Twombly para o tecto da sala dos bronzes, segundo Lang.
Também o artista francês François Morellet foi encarregado de fazer vitrais para uma escadaria.
Para pagar estas encomendas, o Louvre vai, à semelhança do que fez agora, apelar para o mecenato empresarial.
A obra de Anselm Kiefer, que custou 600 mil euros (instalação incluída), foi adquirida com a ajuda do mecenato da seguradora AGF, filial da alemã Allianz, precisou o museu.
"Tendo como horizonte 2010, o Louvre terá inscrito de forma perene nas suas paredes as obras de três artistas maiores do século XXI", sublinhou a direcção do Louvre.