Luís de Freitas Branco morreu faz domingo 50 anos
Um dos maiores músicos portugueses do século XX, Luís de Freitas Branco, morreu há precisamente 50 anos, uma efeméride que tem sido marcada com um Festival que ostenta o nome do maestro e compositor.
Segundo alguns críticos, Luís de Freitas Branco "garantiu a modernidade da música portuguesa e abriu caminho às gerações seguintes".
Para muitos estudiosos, a sua obra, como compositor, musicólogo, pedagogo e divulgador encontra-se no primeiro plano da música europeia do início do século XX".
Luís de Freitas faleceu dia 27 de Novembro de 1955, com 65 anos. A sua formação foi marcada pelo tio, João de Freitas Branco, dramaturgo e ensaísta.
Fez os primeiros estudos de composição com Augusto Machado e Tomás Borba, seguindo-se Désiré Pâque, compositor belga percursor da "atonalidade", e o mestre da instrumentação Luigi Mancinelli.
Hoje à noite, no Auditório Helena Sá da Costa, no Porto, serão escutadas obras suas para voz e piano.
Francisco Sassetti acompanha ao piano a meio-soprano Margarida Reis e o tenor Marco Alves dos Santos que interpretarão 20 canções compostas por Freitas Branco entre 1905 e 1943.
Integrando também o Festival Freitas Branco, em Lisboa, quarta-feira á noite, no Grande Auditório da Culturgest, serão executadas obras suas para orquestra e voz.
A Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a batuta de Zsolt Hammar interpretará "Vathek, poema sinfónico", "Canto do mar" para tenor e orquestra, 1918, sendo solista Carlos Guilherme, e "Despedida" de 1920 para barítono e orquestra, sendo solista Luís Rodrigues.
A formação de Luís de Freitas Branco completou-se com o compositor alemão Engelbert Humperdink e Gabriel Grovlez.
Em Paris contacta com Claude Debussy, compositor que, segundo historiadores, é referencial na composição de Freitas Branco.
As primeiras obras, para canto, datam de 1904. Seguir -se-iam a "Sinfonia Manfredo" e "A Morte de Manfredo", apenas com 15 anos.
Como musicólogo foi decisivo o seu contributo para a recuperação da polifonia portuguesa dos séculos XVI a XVII, Branco estendeu a sua acção ao ensino, à crítica musical e literária e à divulgação da música erudita.
Entre as obras que escreveu figuram "História Popular da Música", "Vida de Beethoven" e "Personalidade de Beethoven".
No plano cívico, foi um opositor do regime do Estado Novo, o que levou a ser afastado do Conservatório, em 1940, e da Emissora Nacional em 1951.
Segundo explicava um ofício da EN, no dia seguinte à morte do Presidente Óscar Fragoso Carmona, Luís de Freitas Branco apareceu na estação com uma gravata de cor.
O musico também ousar criticar publicamente as autoridades pela prisão de Fernando Lopes-Graça, tendo escrito no Diário, em 1931, "O meu discípulo continua preso e está à mercê de gente que tem do valor dele a mesma noção que a minha égua pode ter do valor de Shakespeare", escreveu no jornal "O Diário" em 1931.
A sua influência, tal como a de Joly Braga Santos e Lopes-Graça, foi decisiva na geração seguinte de compositores e pedagogos.