Luís Tinoco estreia nos EUA peça inspirada na viagem lunar da Apollo 11
Lisboa, 31 Jan (Lusa) - O maestro David Alan Miller convidou Luís Tinoco a fazer uma peça inspirada na viagem à Lua da Apollo 11 e o compositor português aceitou o desafio e vai estreá-la a 6 de Março nos Estados Unidos.
Luís Tinoco nasceu a 16 de Julho de 1969, exactamente o dia em que a Apollo 11 partia para a sua missão.
A encomenda da peça foi feita em Setembro passado, quando Tinoco, que tem colaborado com a Orquestra Sinfónica de Albany, assistiu ao início da temporada desta, subordinada ao tema "voyages of exploration" (viagens de exploração).
Na ocasião, David Alan Miller, director musical da orquestra, convidou-o a compor uma peça em torno do tema que unifica o programa da temporada, mas destinada a um agrupamento de câmara constituído a partir da Sinfónica de Albany e que habitualmente faz programas com obras novas.
Depois de saber que Tinoco nasceu no dia em que a Apollo 11 partia, Alan Miller, que inicialmente queria atribuir-lhe uma obra baseada na viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, mudou de ideias e encomendou-lhe uma peça musical baseada na missão tripulada à Lua.
A peça recebeu o nome de "Mare Tranquilitatis" (mar da tranquilidade), nome da cratera onde a nave alunou, e vai estrear-se no dia 6 de Março, num auditório novo da cidade de Troy, no estado de Nova Iorque, disse à Lusa o compositor.
A obra ainda está em fase de composição, mas vai ter uma duração final de 10 minutos, dado que no mesmo concerto vão ser apresentadas outras peças inspiradas noutras viagens.
"Comecei à procura de textos relacionados com a missão da Apollo 11, através de consultas ao site da NASA, onde aparecem transcrições dos próprios diálogos dos astronautas", contou Tinoco, acrescentando que procurou também inspiração em textos de escritores de outros tempos que imaginaram como seria uma viagem à Lua.
"Descobri, por exemplo, um texto muito curioso de um bispo inglês do século XVI chamado Francis Godwin, sobre uma viagem fantasiosa à Lua, uma história incrível", afirmou.
Textos de ficção científica (incluindo Júlio Verne) e "Cosmicómicas", de Italo Calvino, foram outras fontes de Tinoco.
"Quando os textos aparecem ordenados na música, há momentos em que ficamos na dúvida do que é real e do que é ficção e outros em que claramente estamos no universo da fantasia e da ficção científica", explicou o compositor que nos últimos tempos tem recebido várias solicitações dos Estados Unidos.
No passado dia 12, oito solistas da Orquestra Sinfónica de Chicago interpretaram uma peça sua, "Short Cuts".
"Tenho tido pontualmente peças encomendadas e tocadas por orquestras norte-americanas", disse Tinoco, salientando que "umas dão origem a outras" e que isso tem feito com que vá regularmente aos Estados Unidos.
Mas, a 6 de Março, isso não vai acontecer, dado que o compositor tem um outro compromisso, em Lisboa.
"Não estou fisicamente, mas estou com a minha música", afirmou.
EO.