Maior tela do mundo para bater recorde "ambiental e de união"
Longas rectas, curvas e contra-curvas desenham o percurso de uma tela com quatro quilómetros estendida no antigo quartel dos Comandos da Amadora, onde 4.000 pessoas tentarão sábado pintar um recorde "ambiental e de união" digno do Guinness.
A ideia de reunir o maior número possível de artistas profissionais, amadores e "espontâneos" num dos concelhos mais carenciados do país surgiu já no ano passado, quando Eduardo Nascimento, director da Galeria Municipal Artur Bual e membro da direcção do Círculo Cultural e Artístico com o mesmo nome, pensou na necessidade de romper com o estigma de criminalidade e degradação que recai sobre a Amadora.
O projecto foi ganhando forma entre o Círculo e nos antigos Comandos da Amadora, onde funciona actualmente a Unidade de Apoio à Área Militar Amadora-Sintra, são visíveis, desde a semana passada, os preparativos para a pintura da maior tela em extensão do mundo, centrada na temática "Água".
Seis toneladas de tinta, 5.000 trinchas, 2.000 baldes de plástico e 30.000 litros de água integram a lista de materiais a utilizar para bater o actual recorde de 3.491 metros, detido pela Roménia, e participar numa festa de "união e positivismo" conforme ditar a imaginação.
"Para mim o mais importante é unir pessoas de todas as idades e origens sem pensar em raças, crenças, tendências e mostrar que a Amadora tem cultura e vida próprias e muita gente de qualidade", explicou hoje à Lusa Eduardo Nascimento, sublinhando que entre os 4.000 participantes esperados entre as 08:00 e as 20:00 (não é necessário fazer inscrição prévia) estarão artistas de vários países e nacionalidades.
É o caso do pintor e escultor angolano Etona, que chegou quarta-feira a Lisboa com grandes expectativas quanto ao sucesso da iniciativa.
"Só o facto de haver tanta preparação e vontade já é um sinal de que as coisas podem correr bem. Nem sequer estamos cansados, porque a partir do momento em que se está vivo qualquer momento serve para dar algo que possa servir para as próximas gerações", afirmou.
"A ideia aqui é eliminar barreiras, ao mesmo tempo que se fala de um assunto muito importante, que é a gestão sustentável e eficiente da água", acrescentou.
Segundo adiantou à Lusa o vereador da Cultura da Câmara Municipal da Amadora, António Moreira, os patrocinadores financeiros da iniciativa apoiaram a sua realização com cerca de 50 mil euros, valor que não inclui as tintas, oferecidas por uma empresa da especialidade.
Nos antigos Comandos da Amadora circulará ainda uma banda de bombos, para animar os pintores, estando ainda instalado um palco para a actuação de vários grupos.