Mais de 200 obras em retrospetiva sobre David Hockney na Tate Britain em Londres

Londres, 07 fev (Lusa) -- O pintor britânico David Hockney comemora os 80 anos este ano com uma grande retrospetiva da sua obra na Tate Britain que responde à questão "o que faz dum artista uma estrela popular", e que cobre uma "alegre aventura" de quase 60 anos.

Lusa /

A mostra exibirá mais de 200 obras, a partir de quinta-feira e até 29 de maio, desde a fase inicial, passando pela grande série de piscinas californianas de finais dos anos 1960 e pelos grandes retratos duplos dos anos 1970, para terminar nas paisagens luminosas de Yorkshire e da Califórnia.

O diretor da Tate Britain de Londres, Alex Farquharson, disse à comunicação social, na apresentação da mostra, que esta retrospetiva, a mais ampla, em 30 anos, dedicada ao autor, destaca todo o desenvolvimento da arte de Hockney, com a sua questão central: "Como descrever o mundo, como representar a experiência de vida".

"David Hockney", a exposição, é organizada em colaboração com o centro Georges Pompidou (Paris) e o Metropolitan Museum (Nova Iorque), instituições onde será apresentada mais tarde, acrescentou o diretor da galeria londrina.

A montagem da mostra contou com a participação de David Hockney que, num comunicado, sublinhou o prazer que teve ao rever obras que realizara há décadas, algumas das quais vê agora como "velhos amigos".

"É um dos artistas vivos mais populares do mundo (...), a sua pintura é muito popular, tem muito bom humor", explicou à Agência France Presse (AFP) um comissário da mostra, Chris Stephens.

"Ao mesmo tempo, é muito sério com o seu compromisso e com o que tenta fazer, com o que fala a arte, relativamente à razão por que procuramos captar o mundo em imagens", acrescentou Chris Stephens.

Menos torturado do que os seus compatriotas Francis Bacon ou Lucian Freud, menos conceptual que David Hirst, Hockney representa um mundo de luz, de cores e de espaços, acrescentou.

E é inútil torná-lo um precursor ou um revolucionário, porque Hockney atingiu o imaginário coletivo tanto pelas suas obras luminosas como por razões muito prosaicas, sustentou o comissário.

"Nos anos 1960, as piscinas tinham um ar muito exótico, nós não tínhamos a mesma familiaridade com a topografia de Los Angeles", precisou Chris Stephens. E ninguém se choca com os rapazes "lânguidos" à beira da água ou sob o chuveiro, que Hockney pintou.

Uma sala da mostra é consagrada aos desenhos, já que, para Hockney, esta "é uma forma de disciplinar o olhar".

Outra sala é preenchida com fotografia. Hockney fez montagens com centenas de imagens diferentes com as quais reconstituiu imagens com visão lateral e periférica.

As paisagens das colinas de Yorkshire (nordeste da Inglaterra), os Wolds, realizados na década de 1980, são surpreendentes de luminosidade e lembram por vezes deliberadamente os fauvistas Cézanne e Van Gogh, disse Chris Stephens.

Uma série melancólica de carvão, "A chegada da primavera", constitui a única nota mais sombria da mostra, na qual o artista expõe um forte sentido da sua mortalidade, observou Chris Stephens.

A exposição termina com desenhos no iPhone e no iPad, com os quais Hockney trabalha atualmente, fechando a rota de uma vida consagrada à "alegre aventura de transformar o que vê em imagens", como conclui o comissário.

Em 2012, o Lisbon & Estoril Film Festival dedicou a secção CinemArt a David Hockney, com a exibição dos documentários "A Bigger Splash", de Jack Hazan (1973), "Hockney at the Tate", de Alan Benson (1988), "A Day on the Grand Canal with the Emperor of China", de Philip Haas (1988), e "David Hockney: Double Portrait" (2003) e "A Bigger Picture" (2009), ambos de Bruno Wollheim.

O festival promoveu ainda a exposição "Hockney and Alberto de Lacerda: There", sobre objetos e desenhos do artista reunidos pelo poeta português Alberto de Lacerda na sua coleção, ao longo dos anos, desde que ambos se conheceram em Londres, na década de 1960.

A Fundação Calouste Gulbenkian, que tem o artista representado na Coleção Moderna, organizou as exposições "David Hockney: Gravura e desenho", em 1977, e "David Hockney, fotógrafo", em 1985, exclusivamente didicadas à produção do criador britânico.

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