Mais de 50 mil pessoas reviveram o passado em Algés com os The Cure

Lisboa, 15 jul (Lusa) - Dos anos 70 para a atualidade, os ingleses The Cure mantêm-se fiéis ao património rock que construíram e foi com ele que marcaram no sábado o festival Optimus Alive, em Algés, para mais de 50 mil pessoas.

Lusa /
José Sena Goulão/ EPA

Ao fim de quase 40 anos de carreira, a banda não se desviou do caminho traçado e interpretou as canções como se a escrita tivesse sido ontem.

O alinhamento contabilizou mais de 30 canções e foi feito para quem gosta mesmo do grupo britânico, aguentando três horas de concerto.

Não foram esquecidas canções como "Pictures of you", "Lullaby", "Lovesong", "Mint Car", "In between days", "Just like heaven" e "Friday I`m in Love". Para o final ficaram "A Forest" e três regressos ao palco para tocar, entre outras, "Boys Don`t Cry".

Enquanto milhares ouviam os The Cure, algumas centenas de pessoas optavam pela festa da britânica Katy B no palco Heineken. A prova de que os The Cure concentraram quase todas as atenções da noite foi que se circulava à vontade entre palcos.

O mais desconcertante dos concertos do Alive coube, pelo menos até agora, ao músico britânico Tricky. A tenda do palco Heineken foi pequena para os que quiseram registar o regresso do músico a Portugal, mas terminou bastante mais vazia quando o músico fez o "encore".

Sem a cantora Martina Tolpey-Bird para interpretar na íntegra o álbum "Maxinquaye", como estava inicialmente previsto, Tricky, nome fundamental do trip hop britânico, dispersou-se nos temas e pouco cantou. Em pose de transe, sussurrou e gritou por cima de melodias carregadas e negras, batendo várias vezes com o microfone no peito.

Por duas vezes pediu ao público que invadisse o palco e foi efusivamente correspondido por espectadores que possivelmente não tinham nascido quando lançou os primeiros álbuns, nos anos 1990, e que o carregaram em ombros.

Houve canções que ficaram a meio, houve ainda uma celebrada versão de "Ace of Spades", dos Motorhead, e um Tricky que, de joelhos, em jeito de oração, disse ao público: "Isto não funciona sem vocês".

Horas antes tinha estado precisamente entre o público, a dar autógrafos e a deixar-se fotografar, durante o concerto dos norte-americanos The Antlers.

No sábado houve também duas estreias felizes, ambas do Reino Unido, com Noah and the Whale e Mumford & Sons, surpreendidos com a receção do público português - e dos espectadores ingleses, que fizeram notar-se nesta edição.

Os Noah and The Whale focaram o concerto nas canções mais festivas do repertório, ou seja, no último álbum.

Logo a seguir entraram os Mumford & Sons, que tiveram ao cair da noite bastante mais público do que os The Stone Roses, os cabeças-de-cartaz do dia anterior.

Os músicos exercitaram todos os truques para conquistar o coração dos presentes: falaram em português, elogiaram o público e disseram que querem voltar a Portugal.

Com apenas um álbum editado, "Sign no More", com canções folk rock, que lhes valeu prémios como artistas revelação, os Mumford & Sons ainda tocaram um par de músicas do novo registo, a editar em setembro.

Com exceção dos portugueses We Trust, o palco maior do festival foi totalmente ocupado por artistas provenientes do Reino Unido, ainda com os Morcheeba, a braços com a ingrata tarefa de ocupar o lugar deixado vago por Florence + The Machine, que tiveram de cancelar o concerto à última hora.

O festival Optimus Alive tem registado uma audiência em crescendo. Na sexta-feira, primeiro dia, estiveram cerca de 45 mil pessoas, no sábado superou as 50 mil e terminará hoje, domingo, com lotação esgotada - 55 mil - para assistir, sobretudo, a Radiohead.

 

PUB