Malu Mader leva primeiro filme como realizadora a Los Angeles

Porto, 22 Fev (Lusa) - A actriz brasileira Malu Mader revelou hoje, no Porto, que vai apresentar o seu primeiro filme como realizadora, intitulado "Contratempo", no Festival de Cinema de Los Angeles, nos Estados Unidos, em Junho.

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A actriz, que é convidada do Fantasporto, falava durante a apresentação oficial, no âmbito do Festival, do livro "Um caso com o Demónio", de Tony Bellotto, seu marido, que acaba de ser editado em Portugal pela Quetzal Editores.

A obra foi levada ao cinema pelo realizador brasileiro Marcelo Galvão com o nome original do romance da edição brasileira, "Bellini e o Demónio", e está em competição no Fantasporto, na Secção Oficial de Cinema Fantástico.

Malu Mader revelou que o seu filme é um documentário sobre "um projecto social existente no Rio de Janeiro envolvendo meninos de zonas carenciadas, favelas, que tocam música erudita", pelo qual se apaixonou.

Começou a filmar no final de 2006 e terminou em 2008, com uma interrupção longa pelo meio, devido ao seu envolvimento noutros projectos.

"Nunca pensei que o meu primeiro filme como directora fosse um documentário, sempre pensei em fazer ficção, mas aconteceu que me apaixonei por esse projecto e acabou por suceder assim", afirmou a actriz e agora também realizadora.

Já o levou aos festivais de cinema do Rio e de S. Paulo, com boas críticas, o que muito a surpreendeu porque "estava à espera que os críticos malhassem no filme, já que, no Brasil, todo o mundo está um pouco farto dessa temática de favela".

Malu Mader revelou que está já a trabalhar naquele que será o seu primeiro filme de ficção.

"Já tem princípio meio e fim, já tem personagens, só falta que eu tenha um tempo para me concentrar e trabalhar todos os dias, com disciplina, na finalização do roteiro (argumento)", disse.

O livro hoje apresentado no Porto é o terceiro de Tony Bellotto, que é também muito conhecido no Brasil por ser o guitarrista e líder dos Titãs, um dos grupos fundamentais do rock brasileiro.

Esta é a segunda parte de uma trilogia de romances policiais/fantásticos escrita por Bellotto, que têm como personagem central o detective Remo Bellini, de São Paulo, dos quais o primeiro foi também adaptado ao cinema, com a participação de Malu Mader.

Neste, Malu não participa no elenco, mas Tony Bellotto contou que ela é sempre a sua primeira leitora.

"Tem um grande talento como editora e dá-me dicas muito úteis, sobretudo sobre a forma como se devem comportar os personagens femininos, pelo que ela está também na génese deste livro", disse o músico e escritor.

O livro narra as aventuras de Remo Bellini à procura de um suposto romance inédito de Dashiell Hammett.

Na passagem para filme, o realizador, com o acordo do autor, substituiu Hammett pelo escritor inglês Alastair Crawley, que foi amigo pessal de Fernando Pessoa e estava, como Pessoa, profundamente interessado no esoterismo.

"Pensámos que o lado esotérico de Crawley era mais adaptável ao cinema e permitia, de certa forma endemoninhar o Remo Bellini e dar-lhe uma dimensão maior, o que era difícil fazer com o universo mais literário de Hammett", disse o actor Beto Coville.

Tony Belloto tem já outro dos seus três livros - "Um caso com os espíritos", versão portuguesa do original brasileiro "Bellini e os espíritos" - editado pela Quetzal.

O outro livro da trilogia, "Bellini e a esfinge", será editado pela Quetzal ainda este ano, revelou o escritor, crítico literário e editor Francisco José Viegas, da Quetzal Editores, que considera Tony Bellotto como "um dos grandes escritores da lusofonia, senhor de uma escrita com um ritmo alucinante".

PF.

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